Transtorno de humor é terceira principal causa de ausência no trabalho

publicado 18/10/2013 17h22, última modificação 18/10/2013 17h22
São Paulo – Empresas que oferecem programas voltados à saúde mental dos colaboradores ganham com aumento da produtividade e queda de turn over
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Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo mostrou que o transtorno de humor é a terceira principal causa de ausências no trabalho, sendo responsável por uma média de 39 dias incapacitados anualmente. Entre os problemas mentais que são motivos de faltas, destacam-se também ansiedade, síndrome do pânico e depressão.

Uma das principais causas dessas perturbações é a urbanização com privações sociais, afirmou Laura Helena Andrade, professora do Departamento e Instituto de Psiquiatria da USP e colaboradora da pesquisa, em palestra ao comitê de Saúde da Amcham, em 15/10.

Os pesquisadores analisaram 24 megacidades – isto é, aquelas que têm mais de 10 milhões de habitantes – em diferentes países, e foi constatado que São Paulo é a que apresenta maior índice de perturbações mentais no mundo. De acordo com o levantamento, 29,6% dos paulistanos e moradores da região metropolitana sofrem com o problema.

“Em cidades grandes, é comum que as pessoas não conheçam seus vizinhos e não consigam construir uma rede de apoio social como nas vilas e pequenas cidades. A densidade social, junto com esse isolamento, resulta em alterações comportamentais, problemas emocionais, irritabilidade e até aumento da taxa de mortalidade”, diz Laura.

Medidas que podem ser adotadas pelas empresas

Ana Elisa Siqueira, CEO do Grupo Santa Celina, que desenvolve programas voltados para a melhoria da qualidade de vida em empresas, participante do mesmo painel, contou que adotar ações para o bem-estar do colaborador tem se mostrado uma ótima medida. “Nas companhias com as quais trabalhamos, constatamos ROI (Return on Investment) de 1,58 a 1,62”, conta.

De acordo com ela, as organizações preocupadas com a saúde física e mental de seus funcionários apresentam diminuição da taxa de sinistralidade em 10%, em média, e queda significativa de absenteísmo e turn over.

“Transtornos mentais são a principal causa de queda de produtividade”, afirma. “Oferecendo aos profissionais ações e atividades para o bem-estar físico e mental, as empresas ganham com aumento da eficiência e ambiente de trabalho saudável.”

Parceria entre empresas e governo

Para Nadia Demoliner Lacerda, coordenadora do departamento trabalhista de Mundie Advogados, também palestrante no comitê de Saúde da Amcham, as ações para melhorar o atual cenário de perturbações mentais deveriam ser realizadas numa parceria entre governo e empresas privadas. “O Poder judiciário e as instituições da saúde operam em bases distintas. Embora haja relações, um sistema não determina o outro”, diz.

“Há várias regras voltadas à saúde mental. No entanto, mais do que ter uma legislação abrangente sobre benefícios ou medidas reparatórias, é necessário que órgãos oficiais de saúde busquem parcerias com as empresas para prevenção dessas doenças, ao invés de apenas reprimir e aplicar multas”, defende.