Universidades têm papel fundamental na formação da cultura do empreendedorismo, afirma especialista do CNPq

por andre_inohara — publicado 20/08/2012 17h43, última modificação 20/08/2012 17h43
São Paulo – Na avaliação dele, ao contrário das instituições americanas, similares brasileiras não formam profissionais com essa característica.
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Embora haja quem defenda que a função das universidades seja produzir conhecimento e não patentes industriais, elas podem contribuir formando profissionais de mentalidade empreendedora.

Esse seria o papel mais importante que as instituições acadêmicas dariam ao desenvolvimento da inovação, argumenta Alexandre Garcia, coordenador-geral do Programa de Pesquisa em Ciências Exatas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

“Sempre escuto que o lócus da inovação é a empresa, e não a universidade, mas a universidade pode produzir não só inovação, como também formar gente com a cultura do empreendedorismo, o que não acontece hoje”, afirma Garcia.

Atuando na vertente da formação de mão de obra, o CNPq possui vários convênios com entidades públicas e privadas como Sebrae (Serviço de Apoio às Pequenas e Micro Empresas), Senai (Serviço Nacional de Aprendizado Industrial) e IEL (Instituto Euvaldo Lodi) para o desenvolvimento de parques tecnológicos, empresas incubadas e envio de bolsistas para as PME (Pequenas e Médias Empresas).

Garcia foi um dos painelistas do seminário “Inovação e a Competitividade Brasileira”, realizado pela Amcham-São Paulo em 16/08. Leia abaixo a entrevista de Garcia ao site da Amcham:

Veja aqui: Integração entre as políticas de desenvolvimento tecnológico e de comércio exterior são via para acelerar inovação no Brasil

Amcham: Dentre as conclusões surgidas no debate, uma foi o apoio à internacionalização das empresas brasileiras. Isso é possível em curto prazo?

Alexandre Garcia: Todos [os participantes] têm pensamento convergente, cada entidade [governo, setor privado e academia] já sabe o que fazer. A internacionalização das empresas é importante, e nesse contexto o CNPq atua especificamente com o Ciência Sem Fronteiras (CSF). Outra coisa que precisa acontecer é um trabalho junto com os parceiros ligados à inovação para se chegar a algum produto palpável.

Amcham: Falando em CSF, a Amcham apoia o programa ajudando os estudantes a encontrar estágios em empresas no exterior. Como a integração entre o aprendizado prático e o teórico ajuda a desenvolver o ambiente de inovação?

Alexandre Garcia: Ela é fundamental. O CSF foi criado com o objetivo de expor os estudantes ao ambiente de inovação. A ideia era mandar nossos bolsistas para o laboratório de empresas no exterior ou de instituições de excelência que tenham a cultura da inovação. À medida que as empresas puderem nos ajudar abrindo seus centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no exterior e posteriormente permitindo que esses estudantes se recoloquem nos laboratórios das unidades do Brasil, vão ajudar muito.

Veja aqui: Amcham dá novos passos para estimular estágios dos participantes do Ciência Sem Fronteiras no exterior

Amcham: Outra conclusão foi a necessidade de integração maior entre as estruturas de fomento à inovação. Como o CNPq pode fazer isso?

Alexandre Garcia: Temos várias ações de integração, como convênios de trabalho com Sebrae, IEL, Senai e CNI no sentido de fomentar o desenvolvimento de parques tecnológicos, empresas incubadas e bolsistas nas pequenas e médias empresas. Isso é importante porque precisamos capilarizar a cultura da inovação nessas empresas.

Amcham: E quanto às universidades, como elas podem contribuir mais para o desenvolvimento da inovação?

Alexandre Garcia: Sempre escuto que o lócus da inovação é a empresa, e não a universidade, mas ela pode produzir não só inovação como também formar gente com a cultura do empreendedorismo, o que não acontece hoje. Muito de nossa formação acadêmica é mais voltada ao ambiente cientifico, ao contrário do que acontece nas universidades americanas. Foi dito no seminário que a inovação parte de gente jovem, e a cultura das universidades nesses países favorece o empreendedorismo. Eles trabalham com inovação desde os primeiros anos de formação, o que não acontece aqui. Nesse ponto, a universidade pode contribuir muito para formação das pessoas ao promover a inovação desde o início.