2013 traz perspectivas positivas para consumo, mas gargalos estruturais seguem como ponto de atenção

por andre_inohara — publicado 01/03/2013 11h30, última modificação 01/03/2013 11h30
Porto Alegre – Indústria sofre com questões como o ainda elevado preço da energia, deficiências logísticas e falta de pessoal qualificado.
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As expectativas para 2013 serão favoráveis ao consumo, mas não tão boas para a indústria, que sofre com questões como o ainda elevado preço da energia e deficiências logísticas. Este foi o panorama traçado durante o Seminário de Perspectivas Comerciais, realizado pela Amcham-Porto Alegre na última terça-feira (26/02).

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Presidentes e diretores de grandes empresas com atuação no Rio Grande do Sul discutiram perspectivas, considerando um contexto que engloba novas políticas públicas, que passam pela redução da tarifa energética e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e eletrodomésticos.

Os representantes da indústria presentes ao evento da Amcham foram unânimes ao afirmar que o ainda elevado preço da energia é uma grande dificuldade. Entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil tem a energia mais cara. O valor supera inclusive o de países desenvolvidos, caso da Alemanha.

A avaliação é de que, apesar da medida implementada pelo governo para reduzir custos nessa área, a dimensão dos impactos ainda não é completamente conhecida e não se deve esperar aumento significativo de competitividade, já que persistem outras dificuldades. Foi citada como exemplo a subida do preço da gasolina.

No que toca à logística, houve destaque para gargalos colocados pela malha ferroviária precária e rodovias em más condições. O baixo uso da cabotagem também foi mencionado.

Participaram dessa discussão Dennis Gonçalves, CEO da Forjas Taurus, Sérgio Bicca, presidente da processadora de borracha e fabricante de pneus Tipler, e Valdemir Radde, diretor comercial da Fitesa, com moderação do consultor executivo Silvio Teitelbaum.

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Qualificação da mão de obra

Um ponto comum nas reclamações da indústria e do varejo é a falta de mão de obra qualificada. Patrícia Palermo, economista chefe da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS),  que atuou como mediadora de um dos painéis, chamou a atenção para a quantidade de vagas em aberto, que não conseguem ser preenchidas.

“Muitos funcionários estão acomodados com essa situação e não estão aproveitando a oportunidade para se qualificarem. Quando cobrados, mudam de trabalho. Isso gera profissionais fracos que, no momento em que houver qualquer recessão, serão os primeiros a perderem seus postos”, avalia ela.

Este debate contou com a presença de Ambrósio Pesce, diretor comercial do Grupo Iesa, Otelmo Drebes, CEO das Lojas Lebes, e Daniel Flores, gerente comercial da P&G.

Renda e consumo

Radde, da Fitesa, ponderou que, apesar de todas as dificuldades, o Rio Grande do Sul tem uma indústria forte e uma capacidade grande de crescimento.

Com relação ao consumo, que concentra projeções otimistas, Patrícia ressaltou que a maior parte da renda da classe média emergente provém de trabalho, não de medidas assistencialistas “Eles têm o que chamamos de renda livre, ou seja, não dependem de ninguém, apenas do seu próprio trabalho”. Nesse grupo, tem crescido o acesso a imóveis e, consequentemente, aumenta a demanda também por móveis.

O presidente da Lojas Lebes afirma que trabalhar com este público, emergente, exige atenção diferenciada. “A classe C tem um consumo visível. Ela sempre foi esquecida e hoje representa grandes consumidores.” Ele conta ainda que são bons pagadores, com taxa de inadimplência baixa. “Eles compram uma televisão em muitas parcelas baixas e não querem dever e ficar com o nome ‘sujo’ por tão pouco, até porque são pessoas que dependem do crédito”, explica.

Uma forte tendência apontada foi o investimento em cidades gaúchas menores, mais distantes dos grandes centros urbanos, como Osório e Pinhal. Osório já ocupa a quinta posição no mercado de veículos no Estado, o que despertou interesse da Iesa. Flores revela que a P&G também aposta nesse perfil de cidade para continuar a crescer.

 

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