“Quem não fez gestão de risco antes, entrou em 2015 descapitalizado e se tornou frágil”

publicado 04/03/2015 16h20, última modificação 04/03/2015 16h20
São Paulo – Fazer a tarefa em momentos de bonança permite aproveitar oportunidades, diz consultor Carlos Sá
risco-foto01.jpg-2226.html

“Quem não fez gestão de risco antes, entrou em 2015 descapitalizado e se tornou frágil. Quem está capitalizado vai enxergar as oportunidades do mercado nesse período”, afirma Carlos Sá, consultor e instrutor dos cursos do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), que participou do comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham – São Paulo, quarta-feira (04/03).

Ao contrário do setor financeiro, que tem gestão de riscos como cultura, organizações da indústria, comércio e serviços normalmente têm ideia equivocada sobre o assunto. “A maioria acredita que gestão de risco é útil nas crises”, diz Sá. E como o país vem de um período de crescimento econômico, muita gente se apegou à bonança sem se preparar para o pior, algo que já era esperado em uma economia cíclica como a brasileira.

“Estava todo mundo focado em produzir, vender e expandir mercado com o pé no acelerador, sem analisar riscos porque, àquela época, as chances deles se materializarem eram pequenas”, relata. “Mas na crise, eles se materializam”, adverte.

O grande desafio das empresas, segundo o consultor, é trabalhar a gestão de risco a médio e longo prazos, analisando o passado com olhos para o futuro. Ao diagnosticar os riscos, a empresa também deve identificar oportunidades, destaca Sá.

Risco e oportunidade

Tal façanha é possível quando se orienta o trabalho não apenas para a proteção contra os riscos. As empresas, em geral, param nessa etapa porque utilizam o auditor interno para fazer o trabalho.

O ideal, indica o consultor, é que se complemente a mitigação com a identificação das chances de mercado. Para tanto, o trabalho deve ser realizado por uma equipe mista, com profissionais de vendas, marketing e negócios. “Esses têm capacidade para enxergar oportunidades”, argumenta.

É com esse tipo de gestão de risco que empresas conseguem se preparar para financiar seu futuro sem depender de empréstimo, atividade muito cara no Brasil. Com finanças em dia e riscos mitigados, é possível se autofinanciar ou se capitalizar por meio de investidores ou parceiros na bolsa. Como resultado, a empresa amplia as chances de aproveitar momentos difíceis da economia para avançar no mercado e até comprar concorrentes em má situação. “Quem fez a gestão de risco lá atrás agora está bem”, avalia Sá.

registrado em: