“Sociedade mais consciente cobra postura mais ativa das organizações”, diz publicitária

publicado 27/10/2015 14h53, última modificação 27/10/2015 14h53
Recife - A sócia-diretora da Consumix, Izabela Domingues, participou do Comitê de Marketing da Amcham Recife
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Marcas mais humanizadas, cuja missão é não só vender produtos, mas também causas. Esse é o novo panorama trazido pela popularização da internet e das redes sociais, a qual culminou no chamado Marketing 3.0. Para falar sobre o assunto, a publicitária Izabela Dominges, sócia-diretora da Consumix e pesquisadora acadêmica, palestrou no Comitê de Marketing da Amcham Recife na noite do último dia 22/10, no Amcham Business Center.

De acordo com Izabela, a revolução tecnológica ocorrida nas últimas duas décadas foi a principal responsável por uma mudança nas estratégias corporativas de marketing. “Quando eu era estudante de publicidade, no início dos anos 1990, estudávamos que um cliente satisfeito falava da marca para três pessoas, enquanto que um insatisfeito reclamava para nove. Hoje em dia, a voz de cada cliente chega a milhares de outras pessoas.” 

Assim, conforme explicou a publicitária, a necessidade de um alinhamento pleno entre imagem, discurso e ação se faz mais presente do que nunca, já que qualquer contradição pode ser facilmente identificada e divulgada. Além disso, Izabela argumenta que atualmente não é mais possível para a publicidade estar desalinhada com as demandas e valores da sociedade.

“Muitos dizem que a publicidade ‘encaretou’, o que não é correto. Na verdade, ela só é fruto de uma sociedade mais consciente e que cobra postura mais ativa das organizações.” Uma das novas demandas sociais seria justamente a cobrança por marcas as quais visem a mais que apenas o lucro e que se empenhem na construção de uma sociedade melhor.  

Além de causar mudanças nas formas como as marcas se relacionam com a sociedade, o Marketing 3.0 também alterou as relações entre empresa e consumidor, segundo a especialista. Ela cita como exemplo o fato de os clientes serem agora considerados “prosumers”, que seria uma fusão entre produtores (producers) e consumidores (consumers). “Agora os clientes, através de comentários e diálogos frequentes com as marcas, influem diretamente no formato dos produtos e serviços, saindo definitivamente da passividade.”  

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