Além da obrigatoriedade das cotas, Serasa busca desenvolvimento profissional do trabalhador com deficiência

publicado 12/03/2015 16h12, última modificação 12/03/2015 16h12
São Paulo – Gerente de Cidadania Corporativa comenta ações durante o comitê estratégico de Recursos Humanos
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A Serasa Experian desenvolveu um programa de inclusão que pretende ir além da obrigatoriedade da lei 8231/91 e promover o desenvolvimento profissional desse grupo. Com cerca de 140 profissionais contratados pela chamada lei de cotas num universo de 2.500 trabalhadores em todo o país, a companhia realiza ações periódicas junto a todos os funcionários e inclui tecnologia específica para o trabalho dos cotistas.

“A lei de cotas força a entrada do profissional, mas a empresa tem que criar condições de promover o crescimento dele como qualquer outro profissional. Se você quer que ele seja produtivo, tem que investir”, afirma Andréa Regina, gerente de Cidadania Corporativa da Serasa Experian, que esteve no comitê estratégico de Recursos Humanos da Amcham – São Paulo, quinta-feira (12/03).

As ações, que evolvem treinamentos, oficinas e tutoria, são voltadas aos cotistas e aos demais profissionais. Quem entra por meio da lei passa por capacitação para a inclusão. “Muitas vezes esse é o primeiro emprego da pessoa, que vem de um ambiente familiar em que pode haver superproteção. Ele compreende (por meio da ação) que fará parte de um grupo e que vai ter direitos e responsabilidades dentro da organização”, comenta Andréa.

As equipes que recebem os cotistas também recebem instruções, inclusive por e-learning. Há casos de deficiências severas, como surdez e síndrome de Down, cujas particularidades precisam ser compreendidas pelos demais funcionários para que se quebre a barreira da discriminação e haja aproximação entre todos, explica a gerente.

Entre as ações de sensibilização, há a “Semana da Diversidade”, que aborda a temática com o público interno e externo, envolvendo amigos e familiares de todos os funcionários.

Tecnologia e apoio

Outro aspecto do programa é a tecnologia assistiva, que insere equipamentos e recursos específicos para proporcionar o desenvolvimento do trabalho dos profissionais com deficiência. Entram nesse escopo leitores de tela e impressora em braille.

“Se eu preciso de uma cadeira para sentar e não me cansar, durante o trabalho, o cego precisa de uma impressora em braile ou leitor de tela para trabalhar com a devida propriedade. São investimentos que proporcionam o desenvolvimento desse profissional ao mesmo tempo em que a empresa busca alta performance”, esclarece Andréa.

O desafio, na opinião da gerente, é trabalhar a quebra de paradigmas num contexto em que as pessoas são diferentes. “Respeitamos as diferenças e damos condições para que cada um seja o que é no ambiente corporativo”, declara.

O programa, segundo Andréa, visa à equidade de direitos e oportunidades, partindo do princípio constitucional de que todos os cidadãos são seres humanos com direitos e deveres, mesmo tendo diferenças.

“Quando se está num país em que há discrepância entre os que estão no mercado profissional e os que não estão, a empresa tem que trabalhar (para mudar o quadro). É uma questão de promoção do desenvolvimento e da responsabilidade social corporativa”, complementa.

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