Apetite pelo risco e ousadia das startups atraíram a Porto Seguro

publicado 29/09/2016 15h33, última modificação 29/09/2016 15h33
São Paulo – Parceria com empresas inovadoras deu visibilidade ao portfólio de serviços, segundo Italo Flammia
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A ousadia e a disposição dos empreendedores para correr riscos levaram a Porto Seguro a fazer parcerias de inovação aberta com startups, conta Italo Flammia, diretor de Tecnologia da Informação (TI) da Porto Seguro e diretor da aceleradora de startups Oxigênio. “As startups não querem ser fornecedoras, e sim parceiras. E, se pudessem, elas comprariam a sua empresa”, disse o executivo, no comitê de Diretores Comerciais da Amcham – São Paulo da quinta-feira (29/9).

A Oxigênio Aceleradora é o braço de inovação da Porto Seguro e surgiu em 2015, para apoiar fintechs de novos serviços financeiros capazes de criar sinergia com produtos oferecidos pela seguradora. “Nosso foco é a inovação que será trazida para a Porto, e não a rentabilidade”, segundo Flammia. Depois de selecionadas, as startups escolhidas recebem ajuda financeira e assessoria técnica e operacional da Porto por seis meses, para viabilizar suas ideias.

A vantagem de trabalhar com startups é que elas criam inovações mais rápido do que as empresas. “Os empreendedores são bem formados, entendem do assunto e não tem medo de correr riscos. E não têm que perder tempo pensando em como se encaixar nos quesitos financeiros, legais, de RH e compliance das empresas para inovar”, detalha Flammia.

As cinco startups selecionadas pela Porto são a Bynd, app de carona corporativa que gera pontos de milhagem em cartões de crédito, e o PDVend, de gestão de vendas de microempresas via tablets e celulares. O PDVend é usado por estabelecimentos clientes da Porto, segundo Flammia.

Já o app Planejei tem um assistente virtual para ajudar os usuários a organizar as finanças e se integra aos produtos financeiros e de seguros da Porto, assim como o Trackage, de rastreamento de bagagens. E o app de controle de gastos telefônicos Telep pode ser usado no Conecta, serviço de telecomunicações da seguradora.

O programa de inovação aberta da Porto Seguro está aberta aos funcionários. “Não queremos passar a ideia de que a inovação está somente lá fora. Ela também existe dentro da empresa e queremos ajudar o colaborador a se transformar em um empreendedor, se ele quiser.”

Em um segundo momento do programa, a Porto ofereceu aos funcionários a possibilidade de se tornarem empreendedores, e três projetos foram selecionados. Como incentivo, a empresa oferece três meses de licença não remunerada aos candidatos para dar assessoria técnica e operacional. Para ser aprovado, o projeto não pode ser somente um aperfeiçoamento de serviços existentes da Porto. Além de responder a uma demanda de mercado, eles têm que ajudar a aumentar a visibilidade e consumo de serviços da seguradora.

Se depois do período a ideia não se viabilizar, o colaborador pode voltar para a empresa no mesmo cargo que ocupava antes. De três projetos de funcionários que foram apresentados, dois decidiram seguir adiante com as respectivas startups e uma das equipes preferiu voltar à empresa, disse Flammia. Conversando com os candidatos internos, Flammia descobriu que eles eram muito competentes, mas não demonstraram nenhum talento empreendedor antes do programa.

Todos disseram que se sentiam desmotivados pela burocracia e falta de espaço para expor ideias. E que iriam sair da empresa cedo ou tarde. “Você nunca perde um mau funcionário para o empreendedorismo. É sempre o melhor”, constata o executivo. Para Flammia, dar a oportunidade de alguém explorar a veia empreendedora e gerar insights criativos para a empresa mostra o acerto do programa. “É uma forma de se relacionar com gente qualificada.”

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