Após escândalo de corrupção na Índia, adidas aperfeiçoa práticas de adequação às regras

publicado 10/10/2013 16h55, última modificação 10/10/2013 16h55
São Paulo – Ex-executivos da Reebok India foram acusados de desviar cerca de 125 milhões de euros em 2012
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Envolvida em um incidente fraudulento na Índia em 2012, a adidas vem reforçando suas políticas de compliance (conformidade com leis e regras) e gestão de riscos pelo mundo afora. No Brasil, a fabricante alemã de materiais esportivos vem exercendo controle estrito sobre os contratos de clientes, como forma de aumentar a transparência das operações.

“Todas as negociações com clubes e jogadores passam pela área de Contratos, e é muito importante ter integração efetiva com a área Financeira e garantir que todos os procedimentos sejam cumpridos em sua integralidade”, disse Alderiza Agustini, Head do departamento Jurídico e de Compliance da adidas.

No comitê de Finanças da Amcham – São Paulo da quinta-feira (10/9), a executiva afirmou que a unidade brasileira tem estudado formas de reforçar a fiscalização e supervisão de cláusulas contratuais junto aos clientes, visando refletir com a maior precisão possível os ganhos financeiros oriundos das operações.

“Um de nossos grandes desafios é fazer com que o sistema jurídico funcione 100% integrado com a área financeira, proporcionando segurança adicional aos controles internos da companhia”, acrescenta a executiva.

A partir do registro do contrato no sistema, a área financeira tem controle sobre valores e condições de pagamento, cuidando para que os valores sejam pagos corretamente não só aos clientes, como também fornecedores.

O advogado Alexei Bonamin, sócio do escritório TozziniFreire, também considera necessário que as áreas de Compliance e Finanças falem a mesma linguagem. “É importante ter minutas padronizadas de contrato com as mesmas condições, e se ter ideia dos riscos a que se está sujeito”, exemplifica o advogado.

Compliance x gestão de risco

No Brasil, ainda são poucas as empresas que estão montando áreas específicas de compliance. “As iniciativas de se criar uma área centralizada de Gestão da Conformidade são poucas. Elas acabam fazendo parte da área de estruturas de risco”, revela Rogério Lélis, gerente sênior da área de Gestão de Riscos e Compliance Regulatório da consultoria PwC.

Por definição, compliance é o conjunto de políticas e procedimentos internos que regulam, além da conduta profissional, o grau de risco que a empresa aceitará em operações que tragam significativa probabilidade de perda.

Integração de áreas

Quando eventuais questionamentos judiciais chegam ao departamento jurídico, precisam ser relatados ao financeiro. Conforme avaliação da probabilidade de ganho de causa, o financeiro calcula o valor das provisões para perdas.

“Toda empresa que tem contencioso grande ou pequeno, sabe da importância de ter relatórios corretamente informados, no tempo adequado e com datas de corte alinhadas com a área financeira”, explica Alderiza.

A troca de informações é uma prática de compliance. “Estamos revendo nossos modelos de relatórios de contingência, alinhando o formato com a área financeira”, de acordo com Alderiza.

“Isso está ligado ao compliance, porque precisamos garantir não apenas a integração entre departamentos, mas também se o advogado terceirizado está informando a perda potencial de forma correta, para que o financeiro contabilize as reservas de forma correta”, avalia a executiva.

Além da gestão de risco, a adidas também tem divulgado práticas de compliance. O programa Fair Play, por exemplo, foi criado para acolher denúncias de clientes, fornecedores e colaboradores sobre práticas ilícitas.

O código de conduta da empresa também é aplicado em todo o mundo. “Estar sempre reciclando funcionários sobre ferramentas de compliance, fazendo com que passem por treinamentos e tenham constante desenvolvimento da cultura de ética”, comenta Alderiza.

Fraude milionária

Em maio de 2012, a Reebok India, subsidiária da adidas, denunciou às autoridades locais fraudes financeiras cometidas por dois ex-executivos. Depois de serem demitidos, ambos foram acusados de adulterar notas fiscais, esconder mercadorias e inventar falsos distribuidores.

Estima-se que o prejuízo para a adidas causado pela operação criminosa tenha chegado a 125 milhões de euros – aproximadamente 260 milhões de reais, calculado com base na cotação atual.

Pedro Reis, gerente sênior de Finanças e Contabilidade da adidas, explica que o rigor na gestão de risco serve para evitar novas perdas, e também melhorar o desempenho operacional.

“Estamos adotando controles internos mais rígidos não por tendência de mercado, mas para aprender com nossos erros. Além de questões trabalhistas, cíveis e tributárias, há uma série de contingências que não estão nos livros (contábeis) e que precisam ser monitorados”, comenta ele.

A pirataria é um deles, sendo responsável por significativos prejuízos financeiros e de imagem. “O volume de falsificação é inacreditável. Nossas etiquetas e códigos de barra são copiados com tanto detalhismo, que as pessoas podem estar comprando produtos falsos sem saber,caso os comprem fora de nossas lojas ou parceiros autorizados”, conta ele.

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