Avaliação comportamental é chave no momento da contratação

publicado 19/05/2016 11h47, última modificação 19/05/2016 11h47
São Paulo - Empresas devem observar interesses, valores e ética de candidatos durante processo seletivo
daniele-riera-1275.html

Os critérios de recrutamento profissional nas empresas mudaram nos últimos anos. As competências técnicas e a experiência profissional, apesar de muito importantes, não podem estar distantes de uma avaliação comportamental do indivíduo. Esta análise é de Daniele Riêra, headhunter da STATO, Consultoria de movimentação de talentos. Entender aquilo que é essencial para o candidato, suas motivações e interesses ajudam na seleção de um perfil mais adequado para a empresa. "Só um olhar aguçado consegue identificar um bom candidato. Temos que sair do script básico de entrevista", afirmou, durante reunião do comitê estratégico de marketing da Amcham - São Paulo na quarta-feira (18).

Para uma contratação adequada, Daniele recomenda a observação de algumas variáveis mais voltadas para o indivíduo e sua subjetividade. O Assessment é um instrumento valioso no recrutamento, já que avalia o perfil comportamental das pessoas. Através dessa ferramenta, é possível identificar os interesses e expectativas pessoais do candidato, seus valores e sua ética – aspecto que ganhou uma maior importância recentemente, com o aumento do debate sobre corrupção.

Para avaliar a experiência profissional, habilidade e conhecimentos técnicos, a especialista recomenta analisar a trajetória completa do candidato e checar as referências anteriores. Algumas empresas têm preferido ainda em propor cases para avaliação de desempenho. “Nesse caso, é preciso dar insumo necessário para o candidato e o trabalho tem que ser rápido e curto, para evitar usar o conteúdo intelectual de um candidato para trazer soluções para a empresa”, recomenda a especialista.

Alguns desafios na área de Marketing atualmente, como o aumento do escopo da função, oferta e necessidade de engajamento da equipe, trouxeram novos desafios para a contratação de novos profissionais. "Às vezes o mercado exige que o candidato tenha experiência quando ele não tem, apesar de ter conhecimento e potencial”, avalia. Além disso, o conhecimento em digital se tornou imprescindível na área. Mesmo jovens no início de carreira já chegam com habilidades nessa área, mas ainda faltam qualificações comportamentais - a visão do coletivo, flexibilidade e abertura a trabalhar e conviver com uma equipe heterogênea. 

Outra dificuldade na área de contratação em geral é o desafio de preencher uma vaga de forma rápida, que não prejudique a produtividade da equipe como um todo, mas ao mesmo tempo prezar na qualidade da contratação. A dica da consultora é priorizar sim um processo seletivo mais criterioso e procurar alguém mais adequado, mesmo que demande um pouco mais de tempo. "Se você colocar na ponta do lápis o quanto é gasto em uma contratação que não dá certo, considerando a perda de meses de produtividade, não é o melhor. É uma questão de conscientização de quem está contratando, seja RH interno ou uma consultoria", explica.

Daniele identifica que há ainda barreiras de preconceito na hora da contratação de novos profissionais para a empresa. "Como contratante, o líder tem que realmente ter abertura para o que é diferente dele, sair do próprio referencial, e ousar", aconselha. Olhar além das barreiras de idade, classe social e imagem ajuda na construção de uma equipe mais diversificada e pode surpreender nos resultados.

registrado em: