Banco Fator: ajustes no câmbio e preços administrados são “lado bom” dentro de um quadro geral ruim

publicado 16/02/2016 12h52, última modificação 16/02/2016 12h52
São Paulo – Para o economista José Francisco Gonçalves, medidas também ajudam a melhorar situação fiscal
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O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, acredita que a correção das tarifas administradas de serviços públicos (energia, água e transporte), câmbio favorável às exportações e atratividade dos ativos brasileiros foram o “lado bom” dos ajustes econômicos ocorridos nos últimos meses.

“Em relação à questão da inflação de serviços, podemos olhar a correção dos preços administrados como um das poucas coisas boas (da crise econômica)”, afirmou, no 5º Seminário Perspectivas Comerciais e Econômicas da Amcham – São Paulo, na terça-feira (16/2).

“A primeira coisa boa é que você tira do orçamento público os subsídios para (manter baixas as tarifas de) prestação de serviços, que passam a ser, em tese, remunerados pelo seu custo. Isso sinaliza melhora na situação fiscal. O segundo ponto é que os prestadores desses serviços recuperam capacidade de gerar resultado (diante da possibilidade de readequar custos e margens)”, acrescentou Gonçalves. O economista ressaltou que esses são aspectos positivos dentro de um quadro macroeconômico bastante negativo, pré-condições favoráveis que podem ser aproveitadas ou não.  

Ainda segundo Gonçalves, a recuperação da capacidade das empresas de gerar caixa com a readequação dos preços administrados é um componente fundamental para a realização de investimentos. “Sem um mínimo de geração de caixa, a discussão sobre investimentos nem começa.”

Em relação ao câmbio, Gonçalves disse que a desvalorização do real nos últimos meses ajudou a devolver competitividade ao setor exportador brasileiro e barateou os ativos nacionais. “Em termos de fusões e aquisições de ativos, a mudança no câmbio favorece a movimentação internacional de capitais e até de reestruturação nas empresas.”

Estimativas de crescimento

De acordo com as projeções do Banco Fator, a economia vai continuar em recessão em 2016. A estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) é de queda de 3,5%, câmbio a R$ 4,50 em dezembro e inflação fechando o ano em alta de 8,03%. Gonçalves acredita na volta da CPMF este ano, mas que não será suficiente para cumprir o superávit fiscal (economia para pagar juros da dívida externa). “Mesmo com o imposto, não vejo o governo cumprindo a meta neste ano e no próximo.”

Para o país voltar a crescer nos próximos anos, Gonçalves disse que é necessário incentivar grandes investimentos em infraestrutura. Nesse contexto, a taxa de câmbio e a saúde financeira das concessionárias de serviços públicos são fatores decisivos no processo. “Sem elas, não há como falar em retomada dos grandes investimentos.”

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