Banco Fator: quatro sinais mostram que inflação deve recuar e puxar os juros para baixo

publicado 18/04/2016 11h28, última modificação 18/04/2016 11h28
São Paulo – Para José Francisco Gonçalves, fatores são o câmbio, preços administrados, de alimentos e de serviços
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Para José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, a inflação vai recuar em função da leve recuperação do câmbio e desaceleração dos preços das tarifas públicas, alimentos e serviços. “Esses quatro sinais me dizem que a inflação vai cair, o que leva à outra boa notícia: o juro também vai cair”, disse, no comitê estratégico de Finanças da Amcham – São Paulo realizado na quinta-feira (13/4).

“No ano passado, o real desvalorizou 40% e isso passou para a inflação de algum jeito”, comenta o economista, referindo-se à queda do poder de compra do real em relação ao dólar. Ele descarta uma forte desvalorização da moeda brasileira em 2016.

O mesmo vale para os preços administrados (tarifas de serviços públicos, como energia, água e transporte). “A energia elétrica subiu 50%, e isso é custo para todo mundo. Esses preços subiram 18% na média, mas você não vai ter um novo choque de preços administrados. Então eles já estão desacelerando.”

Além do câmbio e preços administrados deixando de pressionar a inflação, Gonçalves cita a queda no preço dos alimentos. “No ano passado, os preços no atacado cresceram 20% por causa do choque climático vindo do (furacão) El Niño. Ele vai voltar esse ano? Não vai.”

Em relação à inflação de serviços, o economista disse que a recessão derrubou a procura e, consequentemente, os preços. “Tem alguns (serviços) que estão em deflação. Muitos setores ainda estão acima da média, mas outros estão cada vez mais abaixo da média. E a demanda não vai melhorar”, argumenta.

Competitividade da indústria

Na indústria, a recuperação do real trouxe um aspecto positivo. “O custo unitário do trabalho (CUT) caiu em dólar, o que é muito bom para a indústria. (Porque) Aumenta a competitividade em relação à importação e, portanto, em relação à exportação também.” O CUT é um indicador de produtividade que calcula o custo com trabalho para se produzir um bem.

Outro ponto levantado por Gonçalves é que setores industriais fortes continuam crescendo, o que amortiza os efeitos da recessão. “Por mais que o mundo esteja ruim e aqui também, a agroindústria e a indústria de extração mineral continuam resistindo bem.”

Em relação ao cenário político instável, o economista disse que um eventual contágio seria pelo câmbio. “É possível, mas o efeito também pode ser positivo. A conta é que a inflação vai para 7% esse ano se o câmbio ficar parado em 3,90 reais. Se cair para 3,60 reais, melhora a expectativa de inflação. Mas isso ocorreria em caso de mudança de governo. Do lado da inflação e juro não é, paradoxalmente, um cenário ruim”, afirma.

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