Bem-estar no trabalho: como eliminar o mau humor e ter mais produtividade

por gustavo_galvao — publicado 03/07/2013 14h15, última modificação 03/07/2013 14h15
São Paulo – Nas relações profissionais, é importante encarar de forma positiva as adversidades
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Como as pessoas passam a maior parte do tempo no trabalho, nada melhor do que transformá-lo em algo prazeroso. E isso não implica, necessariamente, em trazer para dentro da empresa alguns ambientes de descanso, entretenimento ou oferecer atividades como a ginástica laboral. O importante é mudar a filosofia, permitir que os funcionários possam ter horários flexíveis e, durante a carreira, serem direcionados para as áreas que melhor se encaixam.

É o que aponta Wellington Nogueira, fundador e coordenador geral dos Doutores da Alegria. Desde 1991, ele é responsável pelos projetos da entidade, que forma e orienta palhaços que já fizeram mais de 900 mil visitas a crianças doentes, em hospitais púbicos de São Paulo, Recife e Rio de Janeiro. Ele foi o palestrante do Comitê de Secretariado Executivo, que aconteceu na terça-feira (02/07), na Amcham-São Paulo.

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Assim como o cuidado com esses pacientes, ele acredita que as companhias também precisam priorizar o bem-estar dos seus funcionários. “O lugar de trabalho é onde o adulto se interna”, ele comenta, ao lembrar que o trabalho parte de um conceito medieval. “A própria palavra ‘trabalho’ vem do latim ‘tripalium’, que representa uma espécie de tridente no qual o feitor vai torturando seus escravos”, ele diz.

Por isso, o importante, segundo o palestrante, é mudar esse paradigma ao permitir o “home office”, preocupar-se com a entrega dos afazeres e não com a rigidez do horário, além de usar ferramentas de mobilidade vindas da tecnologia.

Resignificar o trabalho

A obrigação e a necessidade impostas pelo trabalho acabam desmotivando as pessoas. Por isso, Wellington Nogueira propõe uma resignificação do exercício profissional, que "deve ser encarado como um jogo”, onde é possível brincar com o mau humor do chefe e driblar as dificuldades encontradas ao longo do dia.

Se todos na equipe estão mal-humorados e pouco receptivos, o comportamento de uma pessoa pode trazer mudanças. “A alegria é um hábito adquirido, um estado de espírito que você tem para transformar”, ressalta Nogueira. Dessa forma, a primeira decisão é pessoal, de encarar o ambiente a sua volta de forma diferente, pois preservar o mau humor e a insatisfação tem um impacto decisivo na produtividade.

Mas não adianta reagir com bom humor e receptividade às pessoas se a escolha profissional não traz plenitude. E, para identificar isso, Nogueira faz a seguinte reflexão: quando eu acordo todos os dias para ir ao trabalho, estou motivado? Porque, de acordo com o palestrante, o trabalho flui melhor se é possível estabelecer uma conexão com ele. “O ser humano alegre, que está vivendo a sua potência, é infinitamente mais produtivo que alguém que produz por obrigação, por se sentir escravizado”, aponta o diretor dos Doutores da Alegria.

Como as empresas podem ajudar

Ainda que o bom humor e a iniciativa de mudança seja algo pessoal, os gestores podem dar suporte a esse processo. E tudo começa na seleção dos profissionais, para que cada um seja escolhido conforme as suas competências, e possam ser evitados problemas futuros. “O mesmo trabalho que você tem que ter no seletivo, tem que ter no desligativo”, afirma Wellington Nogueira.

No processo de seleção, ele indica que não compensa ter como principal porta de entrada o currículo. “É preciso ter um cuidado e colocar a pessoa jogando, em cena, para ver quem ela realmente é”, conta Nogueira ao falar da dinâmica pela qual os palhaços passam ao serem escolhidos para trabalhar como Doutores da Alegria. Os principais requisitos que ele busca (e podem ser aplicados em qualquer ambiente profissional) são: escuta, olhar aguçado, generosidade, companheirismo e aptidão.

Só que a falta de produtividade e o mau humor também podem ser os problemas de funcionários com tempo de casa. “O que a gente faz, nesse caso, é um processo de educação continuada, no qual temos duas sextas-feiras por mês para fazer a higiene emocional”, conta. Mesmo assim, ele alerta que o ambiente de trabalho não pode ser um “centro de tratamento”, mas permitir que seja possível identificar quem está ou não tendo uma boa produtividade.

Para melhorar as relações no dia a dia, Wellington Nogueira passa três dicas importantes:

  1. Fazer três inspirações profundas ao longo da jornada de trabalho;
  2. Aceitar o “não” como algo afirmativo;
  3. Cultivar pequenos momentos de sanidade (como a ginástica laboral e 15 minutos de meditação, antes de entrar e sair).
 

O que dizem as secretárias

No contato direto com o diretor executivo, pode ser difícil evitar o stress e a pressão. Mas, conforme o palestrante, é importante entrar no jogo e saber brincar com a reação mal humorada dos colegas. E é isso o que alguns funcionários tentam fazer. “Como os executivos estão empenhados em alcançá-los os números, não há espaço para o riso e cabe à secretária de amenizar essa situação. É difícil, mas não é impossível”, relata Marlene Vidotti, secretária executiva da IBM.

Outras pessoas não conseguem arrancar o sorriso do chefe e gostaram de participar do comitê, para ouvir dicas de como melhorar essa convivência. “Às vezes fica muito difícil evitar o mau humor e eu procuro entender o que está acontecendo com as pessoas. Aí eu respiro fundo, conto até três e, quando eu vejo, já passou”, conta Aldeni Oliveira, secretária da Colgate-Palmolive, que confessa ter dificuldade em eliminar o mau humor do ambiente de trabalho.

Brincadeiras também são bem-vindas. É o que lembra Nádia Sales, secretária da Avon, quando colocou uma bexiga na barriga para parecer com a colega que estava grávida. “É melhor levar tudo na esportiva e ver o lado positivo da situação. Tentar sair da rotina e levar as coisas da forma mais engraçada possível”, ela pontua.

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