Blockchain valida pagamentos sem uso de bancos e inaugura a “internet de valores”, diz sócio da Deloitte

publicado 12/09/2017 17h28, última modificação 13/09/2017 15h38
São Paulo – Segundo Paschoal Baptista (Deloitte), adoção do sistema deve se disseminar em alguns anos
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Roberto Salomon, da Oracle (1º à esq.), Paschoal Baptista, da Deloitte (2º à dir.), e Rosine Kadamani, da Blockchain Academy (1ª à dir.): popularização do blockchain vai criar novas possibilidades de negócios

Nos próximos anos, a tecnologia de blockchain – uma arquitetura de banco de dados que valida transações virtuais – será usada amplamente em setores como o financeiro e o de serviços, estima Paschoal Baptista, sócio da Deloitte. “O impacto do blockchain vai ocorrer em até três anos e vamos entrar na era da internet de valores. Da mesma forma que transferimos informações pela rede virtual, também transmitiremos valores, como moedas digitais ou a representação digital de um bem. Esse é o conceito por trás de blockchain”, afirma, no comitê de Finanças da Amcham – São Paulo na terça-feira (5/9).

Também participaram do comitê Rosine Kadamani, co-fundadora da Blockchain Academy, e Roberto Salomon, arquiteto de soluções da Oracle. O interesse pela tecnologia é evidenciado pelo número de fintechs brasileiras que desenvolvem ferramentas relacionadas a transações financeiras, argumenta Baptista. “Esse movimento já está acontecendo no Brasil. Das quatro mil startups registradas no Brasil, 244 são fintechs que desenvolvem algum tipo de aplicação de blockchain e pagamentos virtuais.”

Blockchain

Em português, blockchain significa cadeia de blocos. Sua tecnologia permite que uma transação eletrônica financeira – e criptografada – seja registrada em vários pontos (computadores) da rede, criando dados em bloco à medida que ela é atualizada. Para cada alteração, um novo documento é produzido em sequencia, o que evidencia o histórico da operação. A tecnologia blockchain possibilita o compartilhamento da transação em cada ponto, eliminando a necessidade de ser armazenada exclusivamente nos domínios do comprador, do vendedor e da instituição que intermedia a operação.

O processo de adicionar e validar registros de transações em diversos pontos da rede é feito por usuários – mineradores – que armazenam as transações em seus computadores em troca de subsídios em moedas eletrônicas ou parte delas. O Bitcoin é a mais famosa das criptomoedas, mas há outras, como o Ether, Lite e Ripple. Em resumo, o funcionamento do sistema é semelhante ao do Torrent, em que os usuários compartilham arquivos entre si.

O princípio é tornar a operação acessível a quem quiser consulta-la para atestar sua legitimidade, como se elas fizessem parte de uma contabilidade pública. Ou seja, se uma pessoa compartilha na internet os termos da venda do seu apartamento pelo preço e outros detalhes mutuamente acertados com o comprador, terá subsídios para provar que a operação aconteceu e é legítima. Da mesma forma, o comprador poderá comprovar que tem direitos sobre o bem, detalha Salomon, da Oracle. “O blockchain permite que as pessoas não desconfiem da operação”, comenta.

Além do compartilhamento de dados, a criptografia avançada é outra virtude do blockchain. Se alguma das partes alterar algum dado ou cancelar, terá que gerar um documento eletrônico atualizado com os novos dados, substituindo o anterior. E se algum hacker quiser alterar os dados da transação sem gerar um novo bloco de dados, terá que invadir todos os pontos onde a informação está armazenada e substituir os dados individualmente.

Como são muitos pontos para alterar, a invasão se torna praticamente impossível. Além disso, o sistema de blockchain vai anular a operação se detectar a inconsistência de dados em algum ponto, destaca Salomon.