Brasil conta com 13 companhias que estão alterando a ordem econômica global

por daniela publicado 08/06/2011 15h23, última modificação 08/06/2011 15h23
Daniela Rocha
São Paulo - Elas fazem parte de um grupo de 100 empresas sediadas em países em desenvolvimento que desafiam a dinâmica de multinacionais maduras de países desenvolvidos, aponta estudo do Boston Consulting Group.
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  • Treze multinacionais sediadas no Brasil estão transformando a ordem econômica global. As companhias Brasil Foods, Camargo Corrêa, Coteminas, Embraer, Gerdau, JBS, Magnesita, Marcopolo, Natura, Odebrecht, Petrobras, Votorantim e WEG fazem parte de um grupo de 100 corporações estabelecidas em 16 países emergentes que desafiam a dinâmica das multinacionais maduras dos Estados Unidos, Japão e Europa.

    É o que mostra o relatório “2011 BCG Global Challengers - Companies on the Move - Rising Stars from Rapidly Developing Economies Are Reshaping Global Industries” da consultoria The Boston Consulting Group, que possui 71 escritórios em 41 países. 

    “Essas empresas dos países em rápido desenvolvimento são chamadas de desafiantes globais porque modificam o território das multinacionais estabelecidas. Elas têm um conjunto de estratégias muito comuns para alavancar vantagens estruturais dos países de origem, construindo inovação e diferenciação competitiva”, explicou Marcos Aguiar, sócio sênior e diretor-gerente da BCG no Brasil, que participou nesta quarta-feira (08/06) do comitê estratégico de Business Affairs da Amcham-São Paulo.

    Além de colocarem grande esforço na inovação, Aguiar destaca que as companhias desafiantes conseguiram montar cadeias de suprimentos altamente eficazes por meio de estruturas próprias ou parcerias, modelo que tem ganhado ênfase recentemente. 

    Posição brasileira

    De acordo com o estudo da BCG, em relação ao bloco Bric, o Brasil aparece em terceiro lugar entre os membros, ao contar com 13 organizações desafiantes globais. A liderança é da China, com 33, onde figuram, por exemplo, a siderúrgica Baosteel e a montadora Chery. Em segundo lugar vem a Índia, com 20, entre elas as automotivas Bajaj e Tata Motors, e a atuante no setor de tecnologia da informação Infosys . Na última posição, aparece a Rússia, com seis empresas.

    O levantamento é realizado desde 2006 e, ao longo dos anos, Aguiar considera que o Brasil tem apresentado evolução positiva. “As companhias se apresentam de maneira mais estável do que em outros países, sobretudo China e Índia. Muitas multinacionais brasileiras permaneceram na listagem e novas foram adicionadas”, ponderou. Na avaliação do executivo, as multinacionais brasileiras em forte crescimento replicam de forma bastante aproximada a composição do Produto Interno Bruto do País.

    A pesquisa mostra que os países da América Latina, por sua vez, apresentam forte defasagem na comparação com o Brasil. O Chile aparece no relatório da BCG com apenas duas empresas: Falabella, do setor varejista, e Lan Linhas Aéreas. A Argentina conta com somente uma companhia desafiante, a Tenaris, fabricante de dutos. Já no México,  são sete, entre elas a Femsa, do segmento de bebidas, e a América Móvil, de telecomunicações.

    Os demais países que detêm multinacionais desafiantes são Egito (1), Hungria (1), Indonésia (2), Malásia (1), Arábia Saudita (2), África do Sul (3), Tailândia (4), Turquia (2) e Emirados Árabes Unidos (3).

    Tendências

    A partir das análises sobre as 100 multinacionais desafiantes, o BCG identificou cinco tendências que moldarão o comércio internacional:

    - Surgimento de empreiteiras chinesas: grupos de empresas que estão investindo bilhões em obras de infraestrutura energética e de transportes em diversas partes do mundo, o que altera a dinâmica global.
    - Corrida por recursos naturais: intensificação de fusões e aquisições na busca por recursos naturais para sustentar o crescimento dos negócios.
    - Diversificação dos conglomerados globais: atuação em setores variados, como é o caso dos grupos brasileiros Odebrecht e Votorantim.
    - Construção de marca global: desenvolvimento de identidades corporativas para atuação além das fronteiras.
    - Crescente dependência de parcerias: papel fundamental de joint ventures e outros tipos de associações para ganho de escala em diversas áreas, assim como para compartilhamento de conhecimentos.

    Se as empresas desafiantes mantiverem a trajetória de crescimento, a BCG prevê que, nos próximos cinco anos, 50 delas poderão ser incluídas no ranking Fortune 500. Em dez anos, cerca de 15 a 20 poderão constar no Fortune 100.

    Até 2020, a consultoria projeta que o conjunto dessas multinacionais deverá faturar cerca de US$ 8 trilhões, o equivalente ao faturamento atual das companhias que compõem o S&P 500, índice de ações de 500 empresas, ponderado por tamanho, liquidez e setor na Bolsa de Nova York.

 

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