Brasil foi um dos países que mais cresceram, mas falta qualidade de gestão e infraestrutura

por lays_shiromaru — publicado 07/03/2014 09h50, última modificação 07/03/2014 09h50
São Paulo – Especialista analisa atual cenário econômico e fala sobre parcerias comerciais interessantes para o país
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O Brasil foi um dos países que mais cresceram em 2013, apresentando um aumento de 2,3% no PIB, e deve conquistar o título de 5ª maior economia do mundo em dois anos, de acordo com projeções divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, o país ainda deixa a desejar em qualidade, segundo Francisco Carlos Teixeira, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ).

“O teto de crescimento do Brasil, comparado com o da Itália, da Espanha e do Canadá, por exemplo, é infinito. No entanto, não temos qualidade de gestão e infraestrutura ideais”, disse em palestra ao comitê de Gestão de Pessoas da Amcham, em 06/03. "Estamos nos tornando o país do retrabalho, e isso reduz nossa competitividade."

Teixeira ressalta a importância de analisar também outros índices, como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), além da qualidade da alfabetização e da funcionalidade de serviços básicos, como educação, saúde e transporte, entre outros.

Além disso, ele destaca o aumento real da remuneração sem aumento da produtividade em iguais condições. “Estamos acostumados a servir e empregar em condições inadequadas, e não é por conta do salário, pois a remuneração cresceu muito mais do que a produtividade”, conta.

Parcerias comerciais

Teixeira afirma que uma parceria com a União Europeia seria interessante para o Brasil. “A UE precisa e quer apoio, além de ter mão de obra excepcionalmente qualificada. Esse é o melhor momento para firmarmos acordos”, diz. Para ele, embora a crise econômica tenha impactado negativamente o Brasil, ela também abriu portas para transferência de qualidade humana e conhecimentos.

Em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com lideranças europeias, na Bélgica, para discutir a aceleração de um acordo de livre comércio entre Mercosul e UE. A parceria ainda precisa ser discutida com os países do bloco sul-americano, mas deve se concretizar, de acordo com Teixeira.

O professor também aponta a China como boa parceira comercial, pois podemos oferecer commodities agrícolas e minerais, que são algumas das prioridades do país para a próxima década, junto com moradia e transporte. Para tanto, Teixeira ressalta que precisamos melhorar a infraestrutura e a logística do Brasil. “É necessário mais dinamismo”, afirma. “Muitos produtos agrícolas, por exemplo, são perdidos no trajeto.”

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