Brasil levará dez anos para ter trabalhadores com nível educacional adequado

por andre_inohara — publicado 08/03/2012 09h01, última modificação 08/03/2012 09h01
André Inohara
São Paulo – Empresas investem em treinamento, mas mão de obra ainda possui carências estruturais de formação geral.
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A formação de mão de obra especializada no Brasil vai continuar sendo um problema nos próximos anos. Para Olga Colpo, CEO da holding Participações Morro Vermelho (administradora do patrimônio do grupo Camargo Corrêa), as iniciativas do governo e do setor privado para melhorar e ampliar a educação no Brasil, base para a criação de trabalhadores qualificados tanto de nível médio como superior, vão levar pelo menos dez anos para dar resultados.

Veja a entrevista de Olga ao site da Amcham, concedida após ela participar do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo na quarta-feira (07/03):

Amcham: Qual a importância do capital humano nas empresas?

Olga Colpo: Fala-se na importância das pessoas há muito tempo, mas agora chegou a hora da verdade. Se não houver um maior aproveitamento do potencial humano, vamos comprometer o futuro das empresas, porque não adianta focar apenas em estratégia de produtos e serviços e estruturas tecnológicas. As empresas são tocadas por pessoas que fazem a diferença, para o bem e para o mal.

Amcham: O que as empresas podem fazer para melhorar o seu quadro de pessoas?

Olga Colpo: As empresas têm se preocupado muito com o desenvolvimento de técnicos, mas precisam dar atenção adicional à lacuna de formação geral e profissional dos trabalhadores que estão chegando ao mercado de trabalho.

Amcham: Está havendo um apagão de formação de pessoal?

Olga Colpo: Sim, porque há necessidade de investimentos em infraestrutura e em tantos outros setores. Mas, tomando a indústria naval como exemplo, hoje não há pessoas o suficiente com que se possa trabalhar. Isso gera um impacto negativo imenso no resultado do setor. Sem educação básica, ficará muito mais difícil formar gente com alguma habilidade específica. Temos uma grande desvantagem competitiva quando o assunto é entregar resultados. É claro que existem iniciativas marcantes do governo e do setor privado, analisando e propondo soluções. Porém, no aspecto da educação, o Brasil deverá levar dez anos para chegar a um nível considerado ideal para uma formação básica em educação.

Amcham: Outro assunto discutido no comitê foi a chegada das gerações mais novas aos postos de comando, o que tem gerado atritos de pensamentos e ideias com os profissionais de faixa etária superior. Como as empresas estão lidando com isso?

Olga Colpo: Grande parte das chefias ainda é ocupada por baby boomers (geração nascida no pós-guerra). Eles pensam mais em longo prazo e agora estão convivendo com as gerações X (nascidos nos anos 70) e Y (depois de 1980), que são, respectivamente, mais pragmáticas e imediatistas. São ideais diferentes que não combinam por si só. Mas cabe aos boomers entregar algumas respostas pragmáticas e imediatistas hoje. Eles também serão responsáveis por transmitir um senso de responsabilidade e compromisso futuro para gerações que não estão habituadas a pensar em um ideal coletivo nas organizações.

Amcham: Muito se fala sobre a geração Y, que começa a chegar aos postos de liderança. De que forma as organizações serão influenciadas dentro de 15 ou 20 anos, quando esses profissionais se consolidarem como altos executivos?

Olga Colpo: As organizações terão que criar sistemas de gestão e negócios que prevejam novas formas de se relacionar, bem como modelos de gestão e atuação. Mas talvez a maior transformação seja em como a geração Y vai lidar com a questão da liderança. Ainda estamos por ver como será essa transformação.

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