Brasil não corre risco de ter bolha no setor imobiliário, garante CEO da Brookfield

por daniela publicado 01/06/2011 14h40, última modificação 01/06/2011 14h40
Daniela Rocha
São Paulo - Nicholas Reade avalia que sistema de crédito é seguro e que ainda há muita demanda por imóveis no País.

O Brasil não corre risco de sofrer uma bolha no setor imobiliário, especialmente devido às garantias exigidas pelo sistema de crédito, destaca Nicholas Reade, CEO da Brookfield Incorporações, que atua com empreendimentos residenciais e comerciais e é resultante da união das empresas Brascan e Company.

“Um dos fatores que inibem a criação de uma bolha é o fato de que os bancos brasileiros ainda exigem de 20% a 30% de capital próprio dos compradores das unidades. Os compradores, por sua vez, não se aventuraram a comprar um imóvel só porque existe oferta de financiamentos. Eles têm maior responsabilidade, uma vez que precisam fazer aportes iniciais”, disse Reade, que participou nesta quarta-feira (01/06) do comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham-São Paulo.

Na época da crise do subprime nos Estados Unidos, salienta o executivo, as instituições estavam financiando mais de 100% dos valores dos imóveis, incluindo, por exemplo, reformas e materiais.

Oportunidades

Reade lembra ainda que, no Brasil, a maioria dos compradores de empreendimentos residenciais é composta por famílias que pretendem morar, não por especuladores. “Nosso mercado é incipiente, não atingimos o estágio da segunda ou terceira moradia.”

Na área de empreendimentos comerciais, que representa 20% dos negócios da incorporadora, há muitas oportunidades. Nos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro, a taxa de vacância é de 3% e 5%, respectivamente. O crescimento da economia brasileira, de acordo com ele, leva à necessidade de as companhias ampliarem escritórios e buscarem espaços mais modernos.

Sobre o aumento dos preços dos terrenos nas grandes cidades, ele destaca que é mais concentrado em áreas nobres que possuem estoques limitados. De uma forma geral no País, não há uma apreciação tão impactante. Outra consideração de Reade é que os deságios dos imóveis usados em relação aos novos estão diminuindo. Para imóveis com cinco a dez anos, a desvalorização em relação aos novos chegava a 50% cinco anos atrás, sendo que hoje é de aproximadamente 20% por conta da demanda.

Recuperação

Apesar de apresentar uma tendência de evolução nos últimos anos, Reade afirmou que o crédito imobiliário representa menos de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o que é pouco na comparação com outros países latinoamericanos como México e Colômbia (10% do PIB) e muito aquém de economias desenvolvidas como Inglaterra e Estados Unidos (70% do PIB). A fatia referente ao financiamento imobiliário brasileiro é de apenas 8% do crédito total.


O CEO da Brookfield comentou que em 2010 foram registradas mais de 680 mil unidades residenciais financiadas, sendo que em 1980 o País já havia atingido volume semelhante, de 620 mil. Quando o Banco Nacional da Habitação (BNH) quebrou, no início da década de 80, a média de imóveis financiados foi reduzida a 100 mil ao ano até 2004, época em que voltou a apresentar novo movimento de expansão.

Após dez anos do Plano Real, com a estabilidade da economia mais sedimentada e com regulamentações mais amadurecidas para setor, os bancos começaram a ter confiança de que poderiam emprestar recursos com 25 ou 30 anos de prazo e os compradores também tiveram disposição a assumir obrigações de longo prazo. Segundo Reade, atualmente, ainda há muito espaço para crescimento “Não estamos fazendo nada mais do que recuperar o tempo perdido”, ressaltou.

 

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