Brasil precisa diversificar fontes energéticas, diz Márcio Zimmermann

por andre_inohara — publicado 19/07/2011 16h21, última modificação 19/07/2011 16h21
André Inohara
São Paulo – Na Amcham, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia ressaltou que matriz hidrelétrica não é eterna e tem capacidade limitada de expansão.
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O Brasil precisa explorar novas fontes de energia para enfrentar a crescente demanda de consumo dos próximos anos, que deverá atingir  4 mil quilowatts hora (KWh) per capita em 2024. A análise é do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

“Existem regiões que apresentam taxa de crescimento acima da média brasileira”, comentou Zimmermann, que participou do comitê estratégico de Energia da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (19/07).

Atualmente, o consumo nacional per capita é de 2,3 mil KWh, muito abaixo do consumo médio de 6,8 mil KWh da Europa e dos 14 mil KWh dos EUA. “Se olharmos para essas características, perceberemos que o mercado se acelerará”, argumentou.

Além da hidroeletricidade

Para atender a essa demanda, que será fortemente impulsionada pelo ingresso das populações de menor renda no mercado consumidor, o secretário estima que será preciso dobrar a capacidade instalada total de energia para cerca de 225 mil megawatts (MW) até 2020. Em 2010, o parque elétrico era de 112 mil MW.

A matriz hidrelétrica continuará como fonte principal, porém sua expansão não conseguirá atender à demanda futura. “A capacidade instalada das hidrelétricas é de 80 mil MW (71,4% do parque gerador nacional) e pode, no máximo, dobrar para 160 mil MW”, disse o secretário.

Zimmermann afirmou que praticamente todos os projetos hidrelétricos com grandes reservatórios já foram explorados. “A partir de 2025, dificilmente implantaremos novas usinas hidrelétricas”, observou.

O Brasil ainda tem muito que fazer em termos de infraestrutura de energia, disse o secretário. “O caminho é longo e não podemos desperdiçar nenhuma fonte de energia.”

Fontes alternativas

As fontes renováveis de energia, como a eólica e a biomassa, contribuirão cada vez mais para o aumento da capacidade instalada de energia, apontou o secretário. A matriz eólica deve crescer em torno de 20% a 30% nos próximos anos.

“A entrada dessa matriz nos últimos leilões de energia deu condições para que o mercado de eólicas crescesse”, afirmou.

O potencial da energia produzida a partir do bagaço de cana também foi citado pelo secretário como uma das fontes complementares promissoras. “Essa fonte ainda não deu o seu grande salto, pois ainda está usando tecnologia atrasada”, afirmou ele, referindo-se à necessidade de investimentos no setor.

Até mesmo a fonte nuclear, objeto de recentes críticas no mundo desenvolvido, é uma opção atrativa na visão do secretário. “O mundo voltará a discutir esse tipo de energia em função das alternativas existentes, mas é hora de os centros de pesquisa fazerem uma avaliação dos acidentes que ocorreram nos últimos anos e de como a segurança pode evoluir”, comentou Zimmermann.

As fontes termelétricas a gás também estão nos planos do governo, em função da descoberta de jazidas na camada pré-sal do litoral brasileiro e no Nordeste, em terra firme. “Foi uma boa surpresa a descoberta de gás na bacia do Parnaíba, no Maranhão. Teremos no próximo leilão de energia uma fonte que não precisará de transporte (barateando o seu custo)”, assinalou. 

Competitividade no setor elétrico

As tarifas elevadas de energia têm efeito direto no custo das empresas, que acabam perdendo competitividade. Para contornar o problema, Zimmerman disse que é preciso pensar em alternativas como agregação de valor à cadeia produtiva.

A indústria de alumínio, grande consumidora de energia, está sob pressão. “Temos preços de energia que tiram a condição competitiva e, por isso, o Brasil pode voltar a importar alumínio a partir de 2012. Seremos um país importador ou acharemos saídas para agregar valor à cadeia do alumínio?”, indagou.

O secretário disse que atrair fabricantes de equipamentos de energia pode ser uma solução compensatória. “Quando aparece uma delegação chinesa, nós a convidamos a investir no Brasil. Porém, se quiserem vir, que tragam também suas indústrias”, comentou.

 

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