Brasil precisa melhorar infraestrutura de Saúde e capacitar profissionais da área para receber mais pacientes internacionais

por andre_inohara — publicado 14/10/2011 15h46, última modificação 14/10/2011 15h46
São Paulo – Além de aprimorar condições de atendimento, País também tem desafio de divulgar serviços médicos no exterior.
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O Brasil precisa aperfeiçoar sua infraestrutura de atendimento médico e a capacitação dos profissionais da área para receber mais pacientes internacionais, defenderam participantes do comitê de Saúde da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (14/10).

“Necessitamos ter infraestrutura e uma ampla visão médica e assistencial para acomodação de pacientes e familiares que vêm do estrangeiro. O que precisamos trabalhar hoje é a imagem do País como destino seguro ao paciente e que oferece qualidade em assistência médica”, disse Enrico de Vettori, sócio da área de Saúde da consultoria Deloitte Touche Tohmatsu.

De acordo com o Ministério do Turismo, o segmento de Turismo Médico deve crescer 35% no Brasil até 2016. Tomando como base os 180 mil estrangeiros que vieram se tratar nos últimos três anos, o País deverá receber 243 mil pacientes internacionais no prazo estimado.

O paciente estrangeiro procura, preferencialmente, cirurgias plásticas e tratamento odontológico, de acordo com Mariana Palha, diretora da empresa de turismo médico Medical Travel Brasil.

Especialidades como cardiologia, reprodução assistida, cirurgia bariátrica e neurologia também têm despertado o interesse do exterior, segundo Mariana. “Também queremos trabalhar com check-ups, que acreditamos ter um mercado muito forte.”

Carências no atendimento e certificação

O ainda reinante hermetismo nas informações do atendimento médico brasileiro é um ponto negativo. Para Vettori, falta transparência na divulgação de resultados dos procedimentos e tratamentos. Isso atrapalha a documentação de procedimentos efetuados com qualidade.

Além disso, também não é comum no Brasil o intercâmbio de dados considerados referências de tratamentos (benchmarking), e que podem servir de comparação para a tomada adequada de decisões.

A forma de atendimento também deixa muitas vezes a desejar. No Brasil, ainda faltam serviços que cubram o pré e pós tratamento, quando o paciente retorna o seu país de origem.

Para se diferenciar, as instituições brasileiras têm procurado melhorar o nível de atendimento e se credenciar junto a entidades internacionais. Entre elas, o Joint Commission International Accreditation (JCI), que certifica centros médico-hospitalares ao redor do mundo e serve como base de comparação com os padrões americanos.

Focos

O foco do Brasil é se tornar um centro de turismo médico para as Américas do Sul, Central e do Norte e para a África, sobretudo os países de língua portuguesa, segundo Mariana Palha, da Medical Travel Brasil.

Entre os americanos, o perfil do paciente é de classe média em busca de um bom atendimento a preços inferiores aos praticados em seu país de origem.

Já os pacientes da África e da América do Sul possuem poder aquisitivo maior e procuram as mais recentes tecnologias médicas que não estão disponíveis em seus países de origem.

Divulgação

Embora possua uma estrutura médica respeitável, com alguns dos melhores hospitais e profissionais médicos do mundo e dezenas de instalações médicas credenciadas pela JCI e investindo em melhorias operacionais, o Brasil ainda é pouco conhecido no segmento, afirma Mariana.

Ela diz que as instituições médicas no Brasil realizam esforços de marketing fragmentados para atrair pacientes internacionais e que essa falta de esforço combinado não resultou em "massa crítica“.

A união das entidades médicas seria bem-vinda para promover o serviço médico brasileiro no exterior, pois ações promocionais isoladas são extremamente caras, explicou Mariana.

Plataforma

Diante desse cenário, a Medical Travel Brasil lançou no final de agosto uma plataforma internacional de medicina privada, o Brazil Health, com o objetivo de reunir os melhores prestadores de saúde em um ambiente de negócios.

O objetivo da plataforma é divulgar hospitais e clínicas, além de ser um portal de informações sobre a saúde privada brasileira no exterior.

“Estamos colocando uma nova realidade no cenário da medicina brasileira, para abrir discussão sobre turismo médico, criar diretrizes e condutas do setor e fazer com que ele cresça de maneira ordenada, coesa e ética”, assinalou Mariana.

A plataforma Brazil Health tem o apoio do governo, por meio dos Ministérios da Saúde e do Turismo, Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e secretarias regionais de Turismo.

Exemplo do Hospital do Coração

Para atender à crescente demanda por pacientes estrangeiros, principalmente angolanos, o Hospital do Coração (HCor) investiu na formação de equipes médicas de renome internacional, além de realizar alianças estratégicas com instituições nacionais e internacionais.

“Nossos pacientes angolanos representam 75% do total de estrangeiros que recebemos, que procuram, além de cardiologia, cirurgia plástica e ortopedia”, disse Fernanda Crema, gerente comercial do HCor.

Como parte do esforço de marketing para divulgar os serviços médicos em Angola, o HCor fechou anúncios na revista de bordo da TAAG, companhia aérea angolana.

De acordo com Fernanda, os pacientes internacionais gastam mais que os nacionais, e a passagem deles pelo Brasil fomenta outros negócios. A cada US$ 1 gasto com medicina, US$ 8 são destinados em outros setores, como o hoteleiro, exemplificou.

Tanto para as instituições como os profissionais, os pacientes do exterior possibilitam melhor remuneração, o que os torna menos dependentes das operadoras de saúde nacionais (que pagam tarifas baixas aos profissionais) e possibilitam mais visibilidade internacional.

 

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