Brasil seguirá com crescimento modesto, mas ainda atraente, diz economista do Itaú

publicado 24/11/2014 14h52, última modificação 24/11/2014 14h52
São Paulo – País ainda reverbera crise de 2008 e ajustes nos EUA e China
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O Brasil continua atraente e seguro para investimentos, mesmo com crescimento econômico modesto, estimado em 0,2% em 2014 e em 1,2% em 2015, segundo Fernando Barbosa, economista do Itaú. Ele comentou as perspectivas para o próximo ano durante o comitê estratégico de Diretores Comerciais e de Marketing da Amcham – São Paulo, quarta-feira (19/11).

“Seria um exagero falar que o país vai para o buraco. O Brasil ainda é atrativo e razoavelmente seguro para se continuar investindo, com cautela”, afirma.

As projeções do banco para 2015 são de juros subindo, com Selic em 12%, inflação em 6,5% e câmbio mais elevado, a R$ 2,70.

O real, assim como o euro, o iene e outras moedas, devem se enfraquecer perante o dólar, em função da aceleração dos juros esperada nos Estados Unidos, para junho de 2015. “A política econômica dos EUA é muito importante para nosso câmbio”, diz.

Assim como os EUA, a China segue com relevância para o Brasil. Após a crise de 2008, a China passou a crescer menos, em torno de 7,5%, com reformas que requereram esfriamento da economia, focando no mercado interno, explica o economista. O gigante asiático também é grande consumidor do minério de ferro brasileiro, no entanto, o preço das commodities em geral está em queda.

Influências e resultados

A crise de 2008 continua reverberando no Brasil. “Em 2010 conseguimos crescer 7,5% impulsionando a demanda, mas a economia não conseguiu crescer mais”, recorda.

O resultado modesto de 2014 também foi influenciado pelos grandes eventos do calendário, como carnaval mais tardio, Copa do Mundo e eleição, que praticamente paralisaram a economia a cada três meses.

Barbosa cita que a inflação está em 6,7%, portanto, acima do teto da meta de 6,5%, e que os preços administrados devem ser reajustados. As vendas no varejo, no entanto, estão se recuperando e devem apresentar crescimento de 2% a 3% ao ano. “A parte mais complicada é a de veículos. Há um desafio para todos que dependem de crédito”, complementa.

A exceção, diz, é no crédito imobiliário que, com juros mais baixos, faz as parcelas substituírem o aluguel, provocando cenário mais saudável.

O varejo segue forte no norte, nordeste e centro-oeste brasileiros, principalmente porque está ligado à renda. “Há lojistas crescendo 17% ao ano, nessas regiões”, exemplifica.

O banco trabalha com a possibilidade de que o governo faça ajustes considerados mínimos “para o cenário não desandar, pelo menos num curto prazo”. “No geral, é preciso ter estabilidade para investimento, com política horizontal e não apenas para determinados setores”, comenta.

Mas para crescer de modo acelerado, o país necessita de mais ações. “Se o governo fizer reformas de infraestrutura, com estradas, linhas de transmissões e leilões mais rápidos, a economia volta a crescer entre 3% e 4%. Sem isso, cresce a 2%”, declara.

“Em conversas com empresários internacionais, a gente vê que eles querem continuar investindo no Brasil. Índia e China são muito complicados para montar negócios, então eles olham para a América Latina, onde o maior mercado consumidor é o do Brasil”, destaca.

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