Brasil terá 2013 de recuperação, com crescimento na casa dos 4%

por giovanna publicado 09/10/2012 18h30, última modificação 09/10/2012 18h30
André Inohara e Marcel Gugoni
São Paulo – País vive momento de inflexão e deve retomar trajetória ascendente, ainda que sem expansão extremamente forte, mostrou a Business Round Up.
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Depois de uma desaceleração iniciada em 2011, o Brasil se vê diante de um momento de inflexão e deve retomar em 2013 uma trajetória de crescimento mais rápido, ainda que não extremamente forte, entre 3,5%  e 4,5% - ante 2% estimados para 2012.

Continuam a pesar incertezas no cenário internacional e a necessidade de avanços nacionais em áreas como infraestrutura, qualificação de mão de obra e segurança jurídica. Por outro lado, recentes mudanças na condução da política econômica, focando questões urgentes para o País – como desoneração da folha de pagamentos e da energia, e incentivos para que o setor privado se envolva mais nos grandes projetos de infraestrutura, em substituição a medidas concentradas no estímulo ao consumo – representam um componente importante para agregar velocidade e consistência à expansão.

“Teremos um ano de recuperação cíclica pela frente. Nossa projeção de crescimento para o PIB [Produto Interno Bruto] é de 3,8% em 2013. Não será um crescimento que dará a sensação de um ano fortíssimo, mas certamente estamos no caminho correto”, avaliou André Loes, economista-chefe do banco HSBC, no seminário Business Round Up – Perspectivas para 2013, organizado pela Amcham-São Paulo nesta terça-feira (09/10).

“Após alguns trimestres atuando no estímulo à demanda, tivemos a grata surpresa de ver o governo mudando o foco da sua atuação em política econômica. A ênfase na oferta e nos gargalos [estruturais da economia] são as questões mais urgentes que o Brasil tem de enfrentar. O ponto central agora é torcer para que as medidas propostas sejam rapidamente implementadas e de maneira adequada, de forma a que os investimentos voltem”, acrescentou Loes. Ele atuou como mediador do debate da Amcham, que reuniu representantes de alguns dos principais segmentos da economia com o objetivo de debater o cenário econômico para o próximo ano.

Durante o evento, a Amcham apresentou uma pesquisa aplicada pelo Ibope sobre o que os empresários esperam para 2013. Um dos pontos abordados foi exatamente o impacto sobre os negócios de medidas governamentais recentemente adotadas pelo governo . Os itens mais bem avaliados foram a desoneração setorial da folha de pagamento e a redução do custo da energia.

“Os efeitos medidos pela sondagem da Amcham, como a desoneração da energia e da folha e o pacote de estímulos ao setor privado para interagir na infraestrutura revelam que o governo agora passou a focar em questões mais urgentes”, comentou Loes.

Para ele, a ênfase no consumo, base do modelo de crescimento adotado nos últimos anos, perdeu eficácia. “Durante algum tempo, o governo tratou a desaceleração [econômica] como problema de demanda. As medidas [de incentivo] desoneravam os bens consumidos pela população. Houve resultado, mas aquém do esperado”, argumentou.

Os debatedores

Na Business Round Up da Amcham, estiveram presentes entidades de setores ligados a serviços, bens de capital, energia e consumo.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) foram as representantes de serviços.

Em bens de capital, a Amcham recebeu a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e, em energia, a entidade convidada foi o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

Segmentos cuja dinâmica está vinculada ao aumento da renda, como varejo e transporte aéreo, foram representados pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Também marcou presença o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon).

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