Brasscom: setor de TI deverá crescer acima de 13% em 2012

por daniela publicado 05/10/2011 11h58, última modificação 05/10/2011 11h58
Daniela Rocha
São Paulo - Desafio maior está na formação de mão de obra qualificada, diz Antonio Gil, presidente da entidade.
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O setor de Tecnologia da Informação deverá crescer mais de 13% em 2012, projeta Antonio Gil, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). O otimismo é justificado pelo dinamismo do meio empresarial que terá uso mais intensivo de equipamentos e softwares e pela ascensão da classe C.

Segundo executivo, o principal desafio do segmento nos próximos anos será a formação de profissionais para acompanhar as necessidades da indústria.

Quanto à crise financeira internacional, o segmento ainda não vê impacto nas operações.

Gil participou na terça-feira (04/09) da “Business Round Up – Perspectivas 2012” na Amcham-São Paulo. Após o evento, ele concedeu a seguinte entrevista ao site da Amcham:

Amcham: Quais as perspectivas do setor para este ano e para 2012?
Antonio Gil:
O mercado de TI representa atualmente USS 85 bilhões. Esse é o mercado interno e estão incluídos apenas US$ 2,2 bilhões resultantes de exportações. Nossa perspectiva para crescimento neste ano é de 13% a 15% e , para 2012, também esperamos algo nessa faixa.

Amcham: O que justifica esses indicadores positivos?
Antonio Gil:
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro está avançando a 3,5% ou 4% ao ano.  Tradicionalmente, TI cresce mais do que a economia do País. Em momentos de crescimento, são necessárias mais tecnologias para organizar, controlar os negócios, ganhar eficiência e aumentar as vendas. Além disso, há a entrada de novas aplicações. Por exemplo, as áreas que mais crescerão serão saúde, educação, segurança e bancos. Hoje, metade da população ainda não tem acesso a uma conta bancária. Então, na medida em que existe ascensão social, as pessoas passam a consumir essas coisas.

Amcham: A crise internacional e a possibilidade de diminuição de fluxo de recursos externos ao País chega a preocupar o setor de TI?
Antonio Gil:
Claro que o cenário externo preocupa, mas não que haja no momento uma percepção de que isso esteja impactando. Lembro que os investimentos estrangeiros no Brasil já somam US$ 60 bilhões neste ano e continuam vindo. Eu, no âmbito da Brasscom, tenho recebido semanalmente empresas do exterior interessadas em investir no mercado brasileiro. Ontem tive reunião com grupo de investidores alemães e vou sair deste evento da Amcham para conversar com uma comitiva de chineses. Não há nenhuma manifestação neste momento de que secou a fonte.

Amcham: A escassez de mão de obra qualificada é um dos principais problemas enfrentados pelo setor?
Antonio Gil:
Sim, é claramente um problema porque TI é um setor que cresce a taxas de 13% a 15% e há dificuldade de formar mão de obra nessas mesmas proporções. Ao contrário do que possa parecer, a profissão de TI não tem sido considerada ‘glamourosa’. Existem explicações até engraçadas de que as meninas preferem meninos que trabalham em finanças ou marketing do que em TI. Então, temos o desafio de formar mais gente e atrair jovens para a profissão, mostrando que é interessante e rica em oportunidades de carreira. O Brasil tem uma estrutura de ensino que permitiria formar os 70 a 80 mil profissionais de que precisamos por ano, mas o que tem acontecido é que, dos que entram na escola, poucos a concluem. Existe a questão dos custos elevados das escolas e os jovens, ao terem ofertas de emprego pleno, não terminam os cursos. Estamos vivendo esse problema. Os alunos estão saindo dos bancos das escolas para trabalhar.

Amcham: O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) lançado pelo governo federal contempla o setor de TI?
Antonio Gil:
Sim. O Pronatec é incrivelmente positivo. A estimativa do governo é formar quatro milhões de profissionais de nível médio em todas as áreas nos próximos quatro anos, sendo cerca de 400 mil em TI.

Amcham: O Plano Brasil Maior do governo federal, lançado em agosto, reduziu a zero a alíquota de 20% para o INSS e, em contrapartida, passará a cobrar uma contribuição sobre o faturamento com uma alíquota a partir de 1,5%. Como a Brasscom avalia essa medida?
Antonio Gil:
Na verdade, a Brasscom esteve envolvida fortemente nessa questão. Essa medida torna a indústria mais competitiva e formalizada. Hoje é alta a informalidade, com a participação de profissionais pessoas jurídicas (PJs). Isso cria concorrência desleal entre empresas totalmente formalizadas e as que não são porque uma paga mais impostos e outras, menos. Outro problema é que uma empresa que tem muitas pessoas não formalizadas apresenta passivos trabalhistas que a impedem de abrir capital ou ter acesso a financiamentos para crescer.

 

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