Business Intelligence exige comprometimento da liderança e planejamento

por daniela publicado 28/07/2011 14h29, última modificação 28/07/2011 14h29
Daniela Rocha
São Paulo - Para Daniel Lázaro, líder da área de Gestão de Informações da Accenture, hoje há tecnologias disponíveis e o sucesso da implementação depende da postura organizacional.
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Empenho da liderança e planejamento estruturado são as chaves para o sucesso do serviço de Business Intelligence (BI) ou inteligência corporativa, que consiste na aplicação e gestão de ferramentas tecnológicas para coleta, organização, análise, compartilhamento e monitoramento de dados destinados às tomadas de decisão. Quem diz é Daniel Lázaro, líder da área de Gestão de Informações e Análises para América Latina da Accenture, empresa global de consultoria de gestão.

Atualmente, não há barreiras tecnológicas porque são muitas as ferramentas disponíveis no mercado. O grande desafio está na área organizacional, ou seja, nas mudanças culturais que prevêem maior integração entre departamentos, reflete Lázaro. 

Ele participou na quarta-feira (27/07) do Fórum Business Intelligence promovido pela Amcham-São Paulo. Após o evento, ele concedeu a seguinte entrevista ao site da entidade:

Amcham: Quais os desafios na implementação de BI em tempo real?
Daniel Lázaro:
Hoje a barreira não é tecnológica, sendo que há cinco anos era. Portanto, atualmente há tecnologia disponível para fazer BI em tempo real. O problema está nas escolhas dos dados relevantes que serão entregues em tempo real porque não adianta necessariamente se ter uma informação imediata se não se sabe nem para que ela serve. Então, o desafio é alinhar a definição dos conceitos dos dados com o uso. Por exemplo, o que é venda líquida? É necessário verificar se todos têm o mesmo entendimento, alinhando uma mesma definição.

Amcham: Somente infraestrutura de TI não é suficiente para o sucesso...
Daniel Lázaro:
Em muitas empresas, não adianta colocar a infraestrutura de TI e a capacidade de análise porque nem sequer contam com processos - por exemplo, não têm gestão de operação do call center (centro de atendimento so cliente). A questão agora é organizacional, quem usa o quê e quais são as informações devem chegar imediatamente para as tomadas de decisão.

Amcham: Na sua visão, quais são os setores mais avançados em BI?
Daniel Lázaro:
As áreas que têm soluções de BI há mais tempo e também mais usuários são a financeira, porque produto financeiro além de dinheiro é informação; a de telecomunicações em geral; e a de varejo, que começa a ter uma maturidade muito maior do que tinha. Antes, o varejo usava o BI  para campanhas, mas hoje utiliza para criar produtos e lançar cartões de fidelidade.

Amcham: Qual é o perfil dos profissionais que atuam diretamente com BI nas companhias?
Daniel Lázaro:
Fizemos uma pesquisa em algumas empresas para descobrir onde estão as fontes de talento analítico e o resultado foi interessante porque, na maioria, foram encontrados nos departamentos de TI, não por conta do conhecimento técnico, mas devido à capacidade de análise desses profissionais. Porém, notamos que é mais fácil um profissional de negócios ser formado em técnicas de análise do que fazer o contrário, isto é, treinar sobre negócios um profissional que conhece profundamente técnica de análise. A conclusão é que dá para alavancar muitos profissionais de TI ao formá-los em uma carreira que será longa para entender de negócio, mas talvez a primeira composição da equipe de BI possa ser híbrida entre pessoas de negócios que aprenderão a parte técnica, e os técnicos de TI que têm capacidade analítica.

Amcham: Mas quais são as formações desses profissionais de negócios que trabalham com BI?
Daniel Lázaro:
Eles têm as mais diversas formações, entre elas Marketing, Administração de Empresas, Estatística e até Publicidade. Esses profissionais conseguem ajudar as áreas de TI a entenderem as necessidades da empresa para aperfeiçoarem suas operações. Talvez eles não saibam dizer como, mas aí entram os técnicos para cumprir essa função.

Amcham: O BI exige maior diálogo entre os departamentos?
Daniel Lázaro:
Na hora em que o BI quer ganhar o sobrenome de corporativo, há necessidade de integração de todos os departamentos. O que já vimos em muitos casos é que não se consegue uma implementação de sucesso somente com tecnologias avançadas e profissionais qualificados. O resultado depende muito da dinâmica da empresa, que tem aspectos políticos, organizacionais e, em alguns casos, vivem disputas de poder. Como informação é poder, há casos de companhias onde os gestores não querem compartilhar. Há organizações com diversos silos. Desta forma, claramente, há necessidade de que os níveis superiores sejam conscientizados de que acabam até gastando mais devido a essa situação.

Amcham: Portanto, o sr. está afirmando que a grande responsabilidade do sucesso na implementação do BI corporativo é da alta liderança...
Daniel Lázaro:
O BI precisa ter o patrocínio dos líderes até porque, se quer ser corportativo, por conceito, precisa do envolvimento de todas as áreas. O primeiro passo do projeto é responder quais são as informações mais importantes para o negócio. As demandas de marketing ou as de vendas? Ou as demandas de outras áreas? Não cabe aos gestores de cada departamento responder isso porque são discussões muito políticas.  Portanto, as respostas devem vir de uma camada acima.

Amcham: Qual é a principal orientação para as empresas que pretendem partir para o BI?
Daniel Lázaro:
Acho que há uma complexidade nessa discussão toda que se refere a quando as empresas devem dar ênfase ao ponto de vista dos negócios e preparar o business case, elaborar o plano. Não é simples construir um business case porque ele não envolve somente os custos e a previsão de retorno sobre o investimento, mas sim como o BI deve funcionar. É importante ter o controle do processo de implementação e dos resultados.

 

 

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