Câmbio e impostos altos devem frear crescimento do setor de TI e Telecom em 2016

publicado 27/01/2016 16h43, última modificação 27/01/2016 16h43
São Paulo – Para Brasscom, hardwares e celulares vão sofrer mais com os efeitos negativos
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O crescimento dos últimos anos do setor de TI (Tecnologia da Informação) e Telecom deve ser interrompido em 2016, de acordo com Sérgio Paulo Gallindo, presidente da Brasscom (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação).

“É possível que (o setor de) softwares de serviços se mantenha ou com crescimento zero ou ligeiramente negativo”, disse, no comitê de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (27/1). De acordo com o executivo, o segmento de softwares tem demanda relativamente estável. “Se a economia cresce, o pessoal compra softwares de TI para acompanhar o crescimento. Se ela encolhe, compra-se TI para melhorar a eficiência operacional. De uma forma ou de outra, softwares sempre são demandados.”

Nos últimos anos, o setor vinha crescendo em função da grande demanda por serviços de TI e câmbio favorável. A aceleração do dólar no final do ano e a redução na fabricação de equipamentos por conta da MP 690 [que elevou a tributação de alimentos, bebidas e produtos de TI] mudou o cenário, segundo Gallindo.

“O setor de hardware (notebooks, smartphones e servidores) sofreu com isso no ano passado e vai continuar sofrendo em 2016”, acrescenta.

Isso também se refletiu na venda de smartphones, uma vez que tanto os produtos como seus componentes são importados. Gallindo explica que o faturamento da categoria aumentou em 2015, mas em contrapartida houve queda na venda de unidades. “Isso indica que o preço médio unitário subiu provavelmente 50% e tornou mais difícil o acesso dos dispositivos à população.”

Teleco

No setor de telecomunicações, Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, disse que a crise econômica diminuiu o faturamento das operadoras e se verificou uma mudança de comportamento de consumo. Os usuários passaram a optar por serviços de dados (acesso à internet via banda larga móvel) em relação aos serviços de voz (telefonia fixa e móvel).

“Como é possível fazer ligações via dados (através de apps de mensagens), os usuários passaram a migrar do serviço pré-pago e começaram a descartar o segundo ou terceiro chips de telefone pré-pago”, afirma. Com isso, o ano de 2015 testemunhou o crescimento de telefones pós-pagos e banda larga fixa e a desaceleração de pré- pagos, TVs por assinatura (que foram preteridos pelas assinaturas de serviços de filmes por streaming) e telefones fixos.

Tude estima que em 2015 o volume de receitas de serviços de dados das operadoras representou 52% do faturamento total, contra 48% dos serviços de voz. “No ano passado, foi a primeira que o serviço de dados superou as vendas de serviço de voz, e isso deve se repetir em 2016”, afirma o consultor.

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