CEO Fórum reúne mais de 300 dirigentes empresariais em Goiás

por simei_morais — publicado 26/06/2013 17h24, última modificação 26/06/2013 17h24
Goiânia – Evento discutiu desafios das lideranças em um mercado cada vez mais globalizado e competitivo

Gerir uma empresa, dar respostas cotidianas num mundo sem fronteiras de espaço e tempo,  de mudanças velozes e interligações inéditas, não é uma tarefa das mais simples.  A Amcham Goiânia reuniu na terça-feira (25/06), mais de 300 dirigentes empresarias de Goiás no 5º CEO Fórum, no auditório do Teatro da TV Serra Dourada, para encontrar respostas de como enfrentar esses desafios.

O criador da Embraer, Osires Silva, mais os CEOs do grupo Sonae, José Manuel Baeta Tomás, da Precon Engenharia, Marcelo Miranda, deram seus depoimentos de como superaram os antigos desafios e como enxergam os atuais. Além de apontar caminhos para a gestão nos tempos atuais. O diretor do BRICLAB da Universidade de Columbia, NY, Marcos Troyjo, mostrou qual a posição do Brasil dentro do atual cenário mundial, que ele chamou de “reglobalização”.

O criador da Embraer, Ozires Silva, relembrou os desafios que enfrentou para erguer, contra a vontade de muitos e num cenário adverso, a empresa que hoje figura entre as grandes fabricantes mundiais de aviões, presentes em mais de 70 países. Decisivo, segundo ele, foi encontrar o nicho da aviação regional, algo que ficou claro quando as empresas aéreas passaram a usar aviões a jato, que não podiam usar as pistas menores e mais precárias.

Aos 82 anos, Ozires não perde o entusiasmo pelos negócios: atualmente dirige a Anima Educação e uma empresa de biotecnologia. Ele critica fortemente a desatenção à criação de valor agregado nos produtos brasileiros de exportação.  E dá um exemplo comparando produtos de exportação: “enquanto um quilo de commodities (grãos e minério não processados) pode valer no máximo centavos de dólar, um quilo de um avião ou de um produto eletrônico vale, em média, 2 mil dólares. Já um quilo de satélite custaria 50 mil dólares.”

Marcelo Miranda,  CEO da Precon Engenharia, empresa  tradicional de Minas Gerais especializada em pré-moldados, conseguiu um avanço expressivo no corte dos desperdícios. A construção civil, segundo ele, é o maior contribuinte do lixo urbano. Sua empresa  baixou drasticamente o índice de rejeitos que, para a construção nacional, fica em 150 quilos por metro construído. No caso da Precon, a média foi reduzida para 25 quilos e a meta é baixar ainda mais, neste ano. A empresa conseguiu isso com o uso de pré-moldados e utilizando-se a técnica de linha de produção, como a da indústria automobilística, com o fornecimento de “chassis” idênticos para os consumidores que podem, com eles, moldarem a moradia de acordo com suas preferências.

O CEO do grupo Sonae Sierra Brasil, José Manuel Tomás, ressaltou a versatilidade e a capacidade de ouvir os clientes do grupo para melhor atender especificidades locais, como o shopping que será lançado em breve na capital goiana. O grupo tem empreendimentos em diversos continentes e precisou também se reinventar: passar de uma cadeia de varejo à construção de shoppings e outros empreendimentos.

Marcos Troyjo alertou para as dificuldades que o Brasil enfrentará na atual rearrumação de alianças mundiais, onde a China se mantém como um polo econômico, com grande influência na África, e os Estados Unidos estabelecem alianças estratégicas com a União Européia e os países do Pacífico com língua inglesa e mais o Japão.  “Para quem gosta de história militar, é um movimento de pinça e o Brasil não está aliado a nenhum dos blocos, e fica numa posição fragilizada recebendo ataques pelos dois lados”.

registrado em: