CEOs no Brasil têm mostrado preocupação crescente com a falta de profissionais qualificados, diz PwC

publicado 04/08/2016 14h11, última modificação 04/08/2016 14h11
São Paulo – Pesquisa anual da consultoria com CEOs globais revela que o tema vem ganhando relevância ao longo dos anos
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Os CEOs de empresas brasileiras estão cada vez mais preocupados com a escassez de profissionais qualificados no mercado, disse João Lins, sócio e líder da consultoria de People & Change da PwC. “Mesmo com o desemprego batendo em 12% da população economicamente ativa, os CEOs brasileiros consideram o assunto como muito sério. É uma questão qualitativa”, segundo Lins, que apresentou os dados da pesquisa da PwC “Annual Global CEO Survey” no comitê de Líderes Empresariais da Amcham – São Paulo na quarta-feira (3/8).

De acordo com a 19ª edição da pesquisa da PwC sobre as perspectivas e desafios futuros do mundo corporativo, 72% dos CEOs entrevistados pelo mundo mencionaram que a baixa disponibilidade de profissionais com competências chave é uma grande preocupação para 2016. No Brasil, o índice chegou a 59%.

Isso porque, comparando com os dados dos últimos oito anos, essa preocupação só aumentou. Na crise de 2008, o tema era prioritário para 47% dos CEOs brasileiros e 61% para os presidentes de empresa do resto do mundo. “Em períodos de recessão e crescimento moderado, a taxa de preocupação com disponibilidade de capital humano acaba caindo. Mas não foi o caso do Brasil”, detalha Lins.

A falta de profissionais qualificados para conduzir e executar as estratégias organizacionais tem sido das grandes preocupações dos CEOs em curto e médio prazos, de acordo com a pesquisa. “Os CEOs não tem problemas em definir as estratégias, mas se preocupam com a execução delas”, comenta Lins.

A justificativa está no aumento da complexidade do ambiente de negócios – dado também detectado na pesquisa – e a mudança acelerada do mercado de trabalho, segundo o especialista. “As competências de hoje não são necessariamente aquelas que serão predominantes no futuro, ou as que os empresários vão precisar para viabilizar o plano de negócios.”

Como consequência, os empresários estão direcionando suas estratégias de gestão de pessoas. Para 49% dos CEOs, a prioridade é focar no pipeline de futuros líderes. Ou seja, identificar, avaliar e planejar a sucessão de gestores. A construção da cultura organizacional e do comportamento da força de trabalho vem em seguida, com 41% das respostas.

Ainda segundo a pesquisa, os CEOs consideram fundamental investir em tecnologias de produtividade, inovação e talentos. Desse tripé, o mais importante são os profissionais, pois são eles que vão conduzir e operar os negócios. “A capacidade de execução da estratégia é o principal diferencial em relação à concorrência”, afirma Lins.

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