Cocriação é caminho para soluções em gestão de pessoas

por daniela publicado 28/11/2011 15h50, última modificação 28/11/2011 15h50
Daniela Rocha
São Paulo - Departamento de Recursos Humanos deve se abrir ao diálogo para enfrentar desafios cotidianos, propõe Claudio Neszlinger, sócio da consultoria Eteh.
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A cocriação é fundamental na busca de soluções em gestão de pessoas em um ambiente corporativo cada vez mais complexo, marcado pela diversidade e por mudanças rapinas em tecnologias e hábitos do mercado consumidor. Trata-se de uma forma de encontrar respostas inovadoras a partir do diálogo com público interno e externo. É o que defende Claudio Neszlinger, sócio da consultoria Eteh - Desenvolvimento Humano.

Ele foi o moderador do seminário “Sabemos o que não sabemos? – o RH, a organização e a complexidade”, organizado pelo comitê estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo na nesta quinta-feira (24/11).

Após o evento, Neszlinger concedeu a seguinte entrevista ao site da Amcham:

Amcham: Quais são as principais mudanças que vêm impactando a área de gestão de pessoas no Brasil?
Claudio Neszlinger
: Em primeiro lugar, o crescimento econômico, que trouxe novas camadas sociais para o mercado de consumo. As pessoas também estão buscando sua graduação, especialização, mas esse período mostra a debilidade do modelo educacional brasileiro. Existem muitas posições abertas no mercado de trabalho que não são preenchidas, em todos os níveis, não só as referentes à graduação acadêmica, mas também aos cursos técnicos. Hoje, qualquer função mais especializada carece de mão de obra bem formada. Então, esse é um retrato do atraso educacional no País. Na minha opinião, a educação é um importante fator que determinará se o Brasil surfará nessa onda de prosperidade ou não.

Amcham: E em termos de tecnologias?
Claudio Neszlinger:
Outro ponto que acho que é interessante e específico da situação brasileira é a grande adoção das redes sociais como como forma de organização e comunicação. Desde as primeiras, como Orkut e LinkedIn, e agora o Facebook e o Twitter, entre outras, o Brasil vem se destacando em número de participantes no mundo. Isso mostra uma característica cultural associativa do brasileiro que, na minha vissão, tem consequências positivas, como a capacidade de se organizar para intenções comuns. Vale destacar também o potencial de fazer o brasileiro se posicionar um pouco mais a favor ou contra as coisas nas quais ele acredita. Acho que a adoção grande de redes sociais acelerará o processo de transformação do País. Isso traz consequências para o mundo corporativo e a necessidade de realizar adaptações. Há empresas que ainda negam as redes sociais como uma realidade, uma característica da nossa sociedade, e não permitem acesso. Isso é bobagem porque muitos profissionais possuem smartphones, não precisam do computador da empresa para se conectarem. Existem companhias que passam pelo processo de aceitação e entendimento de que as redes sociais fazem parte da vida das pessoas; porém, há outras, mais de ponta, que enxergam nisso oportunidades de uso como veículos de comunicação formal, espaços para discussão de assuntos que sejam de interesse corporativo. As empresas estão nesses três estágios diferentes.

Amcham: Como as corporações devem lidar com a diversidade?
Claudio Neszlinger:
 Há questões como diferentes gerações, classes sociais, portadores de deficiência que estão tendo acesso ao mercado de trabalho e diversas visões de mundo dos colaboradores. É papel do departamento de Recursos Humanos criar uma sensibilidade dentro da organização para ela aceitar esse pensamento diverso, muito rico, mas que se não se instala por si só. Ele sempre sempre encontrará barreiras. Oser humano tem muita dificuldade de aceitar o que é diferente de si próprio. Todas as experiências que tive em empresas que conseguiram criar esse campo propício para o diferente entrar mostra que elas se valeram muito disso, tiveram resultados positivos nas suas operações.

Amcham: Qual é a abordagem que o RH tem de fazer com a liderança?
Claudio Neszlinger:
A área de RH tem a responsabilidade de desenvolver os líderes, buscar e preparar conteúdos para atualizá-los e capacitá-los nesse mundo complexo.

Amcham: O RH deve ampliar o diálogo com os colaboradores?
Claudio Neszlinger:
A equipe de RH precisa ter humildade para não achar que sabe tudo sobre a questão do desenvolvimento humano, tem de aceitar que a cocriação é um caminho interessante. Ouvir os colaboradores e pessoas de fora na formulação de soluções de problemas é uma saída rica. O RH necessita focar na busca dos conhecimentos que não possui, não perder de vista o autodesenvolvimento. É fundamental ler e estudar.  

 

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