Codim orienta empresas de capital aberto a se comunicar com o mercado

publicado 05/06/2014 14h38, última modificação 05/06/2014 14h38
São Paulo – Iniciativa tem como objetivo evitar perdas de reputação e queda nos preços de ações
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Formado por entidades do mercado de capitais, o Codim (Comitê de Orientação para Divulgação de Informações ao Mercado) formula orientações para que as companhias abertas se comuniquem adequadamente, sem arranhar suas reputações nem prejudicar os preços de suas ações. Como parte de suas ações para ampliar o alcance de seu trabalho, o grupo explicou sua atuação no comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham – São Paulo, quarta-feira (04/06).

O Codim foi formado há nove anos, quando muitas empresas começaram a abrir o capital, em um ambiente de pouca tradição de mercado, em comparação aos Estados Unidos e aos europeus. “Hoje o país é um dos destinos do capital internacional, mas ainda há muitas empresas que não possuem suas áreas de RI (relações com investidores) muito bem organizadas”, comenta Haroldo Levy Neto, coordenador do grupo.

Em baixa

Como consequência, essas empresas não dominam, ainda, os cuidados com comunicação que o mercado exige de quem tem capital aberto. Na prática, há casos em que porta-vozes despreparados transmitem informações incompatíveis com aquelas já informadas aos órgãos reguladores, como a CVM (Conselho de Valores Mobiliários).

Falta também comunicação adequada junto a públicos diferentes. O que deveria ser algo lógico para a gestão dessas empresas, ainda gera confusões no mercado. Há, por exemplo, companhias que não organizam suas comunicações no idioma de seus investidores. “E se um porta-voz não totalmente preparado se encontrar com um jornalista que não conhece bem a empresa e o setor, pode haver equívocos”, acrescenta Levy.

O resultado é um certo efeito dominó que prejudica o mercado de capitais como um todo. “Esses problemas têm impacto direto na imagem da corporação. Quem não estiver alinhado, eventualmente pode ter seus preços de ações não tão próximos do preço justo do mercado”, argumenta.

Em alta

Diante de casos reais, os membros do Codim passaram a editar os chamados pronunciamentos de orientação (PO), com diretrizes para atividades como fato relevante, guidance (perspectivas de resultados futuros), reuniões restritas e apresentações públicas, divulgação de resultados periódicos, relatório anual, informação de notícia relevante não divulgada ao mercado, teleconferências e até relacionamento com imprensa e mídias sociais, entre outros itens.

Todos os pronunciamentos podem ser lidos no site da entidade (clique aqui).

O órgão não é punitivo e as diretrizes têm função de orientar. No entanto, já houve caso em que o Codim enviou carta a empresa com conduta inadequada às particularidades do mercado. “O que a gente espera é que o mercado comece a demandar as melhores práticas. A empresa que observa essas diretrizes é melhor vista, tem mais transparência e valorização e trata o mercado como ele quer ser tratado”, detalha o coordenador.

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