Com a transformação digital, agências de marketing devem ir além da criação de conteúdo

publicado 17/08/2016 10h01, última modificação 17/08/2016 10h01
São Paulo - Para especialistas, novas tecnologias impactam o modo como agências devem se comunicar com consumidores
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Para Sérgio Gordilho, CCO da África, as transformações digitais impactaram profundamente a função dos profissionais e agências de marketing. “Não há mais espaço para se fazer marketing como se fazia no passado, as agências tem que deixar de ser agenciadoras e passar a ser agentes. Antes os profissionais de marketing precisavam ter ideias, hoje têm que fazer as ideias acontecer”, afirmou o especialista, no II Fórum de Marketing realizado na Amcham - São Paulo na terça-feira, 16/08.

Ao lado de especialistas como Fernando Guntovitch, Presidente da The Group Comunicação, Abel Reis, CEO da Dentsu Aegis Network Brasil e Marcelo Reis, Sócio e Copresidente da Leo Burnett Tailor Made, Gordilho afirmou que não há mais espaço para fazer o marketing de modo tradicional, simplesmente através da criação de peças e campanhas publicitárias. É necessário pensar em uma peça criativa, em sua distribuição e em como integrar as diferentes plataformas e canais para atingir mais consumidores, de acordo com o especialista. “O papel da agência vai ter que ser integrador, porque a comunicação hoje está totalmente fragmentada. Temos que focar na experiência do marketing como um todo. Não adianta ser ótimo em digital e ser péssimo no ponto de venda”, exemplificou.

Abel acredita que as mudanças que as novas tecnologias trouxeram trazem profundos impactos culturais e sociais, muito mais do que meramente técnicos. "Para mim, digital é menos sobre tecnologia e é mais sobre processos, modelos de relação, perfis e talentos que uma agência precisa para se comunicar melhor com os consumidores", opinou. O especialista defendeu ainda que a área de marketing sofre ainda com influências de players que estavam fora da indústria da comunicação, como Twitter, Google e Facebook. "Nossa indústria [marketing] está em crise e não vejo isso pelo ângulo negativo. Olho pelo ângulo que temos a oportunidade de redefinir e reinventar nosso papel nas empresas”, acredita.

 As mudanças que as transformações digitais trouxeram também afetaram no perfil de pessoas que as empresas e agências buscam para trabalhar com marketing, avaliaram os painelistas. “Antes precisávamos de duas características principais dos profissionais: criatividade e relacionamento [conexão com o cliente, o consumidor]. Hoje, além das duas primeiras, precisamos de engenhosidade, ou seja, capacidade de criar nas plataformas tecnológicas e ainda gestão de equipes e projetos”, afirmou Abel.

Incorporação de novas tecnologias

Para Marcelo, usar ferramentas como o Big Data para reunir dados sobre os consumidores pode ser uma estratégia interessante para antecipar negócios e oportunidades. “A grande mudança do comportamento de agências é que precisamos ser frenéticos, antecipando oportunidades de negócio, porque o ritmo das empresas não é mais o ritmo delas, e sim o do consumidor final. Então, se não tivermos um estudo, não conseguimos acompanhar o mercado”, acredita.

 A velocidade com que as empresas absorvem tecnologia ainda é muito inferior a velocidade com que as pessoas fazem isso, o que prejudica as companhias, segundo Guntovitch. "Temos uma visão estratégica [sobre tecnologia], mas não conseguimos aplicar no dia a dia", afirmou.

Para Marcelo, as marcas brasileiras ainda não incorporaram o digital de forma inovadora no marketing e tem dificuldade em ousar. "Quanto mais as marcas estiverem travadas e com medo e fizerem ações by the book, menos vamos conseguir fazer o engajamento que precisamos fazer no digital. O grande desafio das agências é entender e se preparar para a grande transformação social que está acontecendo e saber como engajar o consumidor”, completou. 

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