Como a conectividade e automatização tornam a gestão de armazéns mais eficiente

publicado 12/06/2017 11h51, última modificação 10/07/2017 08h56
São Paulo – RFID, sensores e apps móveis são tecnologias já acessíveis, de acordo com Leonardo Lacerda (EY)
Leonardo Lacerda

Leonardo Lacerda, da EY: tecnologias de conectividade e mobilidade na logística aplicadas na mineração e construção civil logo chegarão aos armazéns

O uso de tecnologias digitais nos centros de armazenagem de produtos será cada vez mais frequente, assinala Leonardo Lacerda, sócio de Supply Chain da consultoria EY. “As operações de armazenagem vão ser bastante conectadas e automatizadas. Há muita disponibilidade de aparelhos móveis, sensores e etiquetas inteligentes, assim como serviços de processamento analítico e inteligência cognitiva”, exemplifica.

Lacerda foi um dos painelistas do comitê de Logística da Amcham – São Paulo na sexta-feira (9/6), junto com Luís Martão, gerente de operações logísticas da C&A. Muito da eficiência da logística de armazenagem será obtida com tecnologias de conectividade, detalha Lacerda. “O produto, sua caixa e outros itens estarão conectados com o ambiente de gestão do armazém.” Além disso, os operadores vão interagir mais com o maquinário. “Quem opera o centro vai receber e enviar informações em tempo real, assim como os equipamentos de movimentação. E também o próprio centro de distribuição, que ficará ainda mais conectado com o ambiente externo para adequação das rotinas de entrega”, acrescenta.

Lacerda detalha quatro pontos sobre como as tecnologias de conectividade vão influenciar a gestão logística:

1. Produto

O barateamento de etiquetas RFID (identificação por radiofrequência) possibilita a aplicação massiva nos produtos. A quantidade e qualidade de informações logísticas, como localização, movimentação e até temperatura do produto, vão alimentar o sistema de gestão logística em tempo real. “Além disso, vai permitir à empresa eliminar processos secundários. Um deles é a conferência de produtos e pedidos feita por áreas diferentes”, detalha Lacerda.

2. Equipamento

O maquinário fixo e móvel usado em armazéns pode conter sensores que permitem acompanhar remotamente o seu desempenho. “A velocidade de uma empilhadeira e sua localização podem ser monitoradas e, a partir daí, tomar ações imediatas. Como, por exemplo, avisar o operador que ele está dirigindo acima do limite permitido ou que o motor precisa de manutenção”, comenta Lacerda. A tecnologia, amplamente utilizada nas indústrias de mineração e construção civil, já está disponível para uso em operações de armazenagem.

3. Segurança

De acordo com o consultor, a tecnologia também permite se conectar ao RFID dos produtos e dos colaboradores. “Uma roupa pode ter etiqueta RFID embutida e interagir com outros equipamentos. A aplicação deve acontecer em breve nos armazéns por questões de segurança, limitando o acesso a áreas autorizadas e interagindo com empilhadeiras para evitar acidentes.”

4. Carregamento (ambiente externo)

No futuro próximo, sensores nos veículos de transporte vão se conectar com os armazéns e tornar o carregamento de mercadorias mais preciso. Lacerda compara as vantagens da conectividade à situação atual, onde é comum haver imprevistos na formação de cargas.

Muitas vezes, os caminhões se atrasam para chegar aos depósitos e a carga que ele deveria levar já está separada e ocupando um espaço que poderia ser aproveitado para carregar outro caminhão que chegou no horário.

“Usando tecnologias de mobilidade junto com aplicativos de trânsito, se consegue corrigir e adaptar rapidamente o planejamento de cargas. Se um veículo vai se atrasar, o processo de separação do pedido é adiado para não ocupar a doca. Isso melhora a utilização do espaço e da força de trabalho”, explica Lacerda.

Os custos de automatização e conectividade estão acessíveis, garante o consultor. “Hoje as soluções estão disponíveis e o retorno do projeto é de curto a médio prazos.”

C&A

Na C&A, a eficiência na gestão de armazéns foi obtida com planejamento e simplificação de processos. De acordo com Martão, a estratégia de malhas foi redefinida com base em otimização de espaços e fluxos logísticos.

Até 2011, a varejista tinha três centros de distribuição (CD) em São Paulo e Rio de Janeiro, onde transitavam muitas mercadorias que abasteciam a região. Para melhorar a eficiência, dois CDs foram fechados e a distribuição se concentrou em São Paulo.

O roteiro de transportes, layout de mercadorias e fluxo logístico também foram modificados de forma a aumentar a produtividade, conta Martão. Como resultado, o tempo de despacho de mercadorias caiu de aproximadamente três dias para um dia. “O projeto tinha que estar na loja, e não no CD ou no caminhão”, resume o executivo.

De acordo com Martão, alguns sinais indicam a necessidade de repensar a gestão de armazéns. Entre eles, produtos ocupando corredores, erros na localização de produtos, demora no recebimento e altos índices de perda.