Conheça as quatro características de um bom líder, segundo best seller norte-americana

publicado 17/09/2018 16h32, última modificação 17/09/2018 16h47
São Paulo – Durante webinar, Joanna Barsh também falou sobre liderança feminina e desigualdade de gênero

O que faz uma liderança ser eficiente? E o que diferencia uma liderança entre uma mulher e um homem? Joanna Barsh, sócia e diretora emérita da McKinsey & Co, passou alguns anos entrevistando centenas de gestores para tentar chegar a uma resposta. O resultado da pesquisa foram seus dois best sellers: How Remarkable Women Lead (Como as mulheres notáveis lideram, na tradução para o português) e Centered Leadership (Liderança Centrada). A escritora compartilhou seus conhecimentos sobre gestão e desigualdade de gênero durante webinar realizado no dia 06/09, com mediação de Déborah Vieitas, CEO da Amcham - Brasil.

“Acho que tive sucesso porque fui teimosa demais para falhar”

Barsh começou sua carreira nos anos 80. Ela contou que, toda vez que encontrava uma dificuldade, ou que alguém dizia que ela não poderia fazer algo, ela se esforçava e fazia. “Já ouvi que não tinha as habilidades e a experiência e lutei, provei que estavam errados. O ambiente em que eu estava era bom para eu começar a crescer. Quando não vi dificuldades, daí comecei a falhar”, relata.

Assista ao webinar no Amcham Connect.

A ideia de pesquisar sobre a liderança e gênero veio de uma crise pessoal. “Eu criei um obstáculo no caminho, que eu não merecia estar lá. Por isso, entrei em uma jornada que respondia isso. Depois de 15 anos, ainda não acabei”, explica. Barsh lembrou alguns pontos que observou, durante esses anos, sobre uma boa liderança:

Quais são as características de um bom líder, segundo Barsh?

1. Tem senso de propósito

Um bom líder é aquele que tem algum propósito e que consegue compartilhá-lo com o time de maneira clara

2. É vulnerável e não tem medo de mostrar para as pessoas

Segundo Barsh, no mundo corporativo, as pessoas têm muita dificuldade de se mostrarem vulneráveis. Mas, na sua experiência, a vulnerabilidade se mostrou uma ótima ferramenta de conexão: “Eu não tinha amigos porque não era vulnerável”.

3. É aquele que corre riscos

Um líder não pode ficar na zona de conforto e precisa saber quando e como pode tomar riscos.

4. Cuida de si

“Eu tinha muita energia e tendência a me esgotar, para ir até o zero. Eu tinha que tomar conta de mim mesma, tinha que ser minha própria mãe. O trabalho de um líder é dar energia, então é preciso ter para dar”, explica.

Barsh lembra que essas características estão presentes em todas as pessoas - basta querer praticar e construir.

Diferença entre homens e mulheres

E qual é a diferença entre uma liderança masculina e outra feminina? Para Barsh, a questão central não é sobre ser homem ou mulher, mas sim reunir características que são mais associadas ao feminino e ao masculino. Inteligência, competitividade, orgulho, ser expressivo, ter paciência e ser empático.

“Os líderes que falham vão ter apenas um lado. E um líder precisa de ambos. Em uma situação complexa, o líder precisa ser capaz lidar com uma época ambígua, que entende energia e emoção, que consegue criar confiança com seus pares. Isso pode ser um homem ou uma mulher”, analisa.

Vieses inconscientes no mercado

O que Barsh nota é que há um conhecimento geral sobre a desigualdade de gênero dentro das organizações, e que esse tópico é presente nas grandes empresas. No entanto, ela relata que as pessoas não se importam de verdade com a questão. Isso fica claro quando se pergunta sobre o business case da empresa. “Líderes falam sobre desigualdade de gênero, mas não se colocam como responsáveis por isso. É necessário perguntar: a empresa tem objetivos, medidas, reporta e discute o curso de medidas relacionadas à equidade?”, questiona.

Ter mulheres no topo, investir na formação de uma liderança feminina e tornar a cultura organizacional receptiva para todas as mulheres são algumas dicas dadas pela especialista para reverter a situação. Outro aspecto importante, que ajudou Barsh, foi ter mentores. “Homens geralmente tem mais mentores que as mulheres. Eu tive muitos mentores e eles viram em mim mais do que eu via, acreditaram em mim pra que eu fosse em frente, valorizavam quem eu era”, explica. Isso foi essencial para que crescesse, afirma.

Debate racial

Quanto à desigualdade racial, Barsh considera que, pelo menos nos Estados Unidos, esse é um debate ainda mais difícil do que gênero: “Ainda não achei uma companhia que faz um bom trabalho com isso”. Ela lembra que, para um problema tão complexo, não há uma solução simples. “Não tem resposta certa. Pessoas não vão concordar se de fato existe um problema, quais eles são, qual deve ser resolvido primeiro. E pessoas mudam o tempo todo. Mas as empresas conseguem melhorar ou piorar a situação, dependendo do que fazem. A abordagem tem que ser diferente do que a que fazemos hoje”, avalia.