Construção terá crescimento ‘mínimo’ em 2013, enquanto varejo vê bons resultados

publicado 02/10/2013 15h41, última modificação 02/10/2013 15h41
São Paulo – Líderes setoriais discutiram resultados de 2013 e projeções para 2014 no Business Round Up
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Reflexo da desaceleração da economia desde 2011, a indústria da construção civil deve ter um crescimento pequeno, em 2013, de até 2%, prevê Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP. “Isso manterá um crescimento, ainda que pequeno”, cita.

As projeções para o próximo ano também não são efusivas. “Se o PIB crescer 3%, devemos crescer isso também”, afirma.  

Ele participou do 5º Business Round Up da Amcham – São Paulo, terça-feira (1º/10), ao lado de outros líderes setoriais, no painel que discutiu o desempenho de cada um em 2013 e as expectativas para 2014.

Para Watanabe, apesar da desaceleração em toda a indústria, o mercado imobiliário ainda tem espaço para crescer, principalmente em habitação popular. “Há um déficit de mais de 5 milhões de casas, mas para famílias de até três salários mínimos”, diz.

O caminho do crescimento para o setor, segundo Watanabe, é por meio da produtividade. “Vai ter de investir nisso para voltar a ter o mesmo crescimento da última década”, avalia.

Varejo

Flávio Rocha, presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), diz que o setor continuará a ter bons índices, mesmo após ter crescido duas vezes mais que o PIB, na última década, período de ouro para a economia brasileira.

“As perspectivas para o futuro são igualmente sorridentes. O consumo vai continuar exercendo seu papel no crescimento da economia”, disse.

De acordo com Rocha, a inadimplência está sob controle e vai cair um ponto percentual, esse ano, e fechar em 5%, o que tranqüiliza o setor em relação ao crédito.

O IDV projeta aumento de 8,3% nas vendas de setembro em relação ao mesmo mês, em 2012. “O ponto mais alto desde o fim de 2011”, ressalta Rocha. Em outubro e novembro, as altas devem ser de 7,5% e 7,4%, respectivamente. “Provavelmente se desenha o melhor trimestre do ano, descontada a sazonalidade”, comemora.

Alimentos e bebidas

A ABIA (Associação Brasileira da indústria de Alimentos) também rascunha resultados positivos. “Nosso setor não oscila muito rápido”, explica Edmundo Klotz, presidente da entidade.

Segundo Klotz, o faturamento do setor deve chegar a R$ 490 bilhões, após três anos de crescimento (R$ 383 bilhões em 2011 e R$ 432 bilhões em 2012). No acumulado de setembro de 2012 a agosto de 2013, a aceleração foi de 13,9%.

A ABIR (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de bebidas) prevê queda de 2,2% no movimento do setor, afirma seu diretor-presidente, Herculano Anghinetti. “Houve o endividamento das famílias, mas o fator mais importante foi o aumento de impostos federais”, justifica.

O setor viu uma migração de consumo: enquanto houve queda nas vendas de refrigerantes (4,5%) e sucos concentrados (6,4%), o mercado vê incrementos em néctares (9,8%), água engarrafada (10,2%), isotônicos (3,5%) e chás (5,7%).

Saúde

Paulo Henrique Fraccaro, presidente da Abimo (Associação Brasileira da indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), diz que há déficit de US$ 3,8 bilhões na balança comercial do setor, como reflexo da importação de 62% dos produtos utilizados no SUS (Sistema Único de Saúde).

Ao mesmo tempo, ele comenta que o país terá mais demanda por equipamentos, com a chegada de médicos a locais antes não atendidos, por meio do Programa Mais Médicos.

“É preciso fortalecer a indústria daqui para dar suporte à demanda que virá. Não consigo ver no governo um planejamento para equalizar o Brasil a países mais avançados [quanto aos gastos com o sistema público de saúde]”, declara.

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