Consultoria Excelência Energética vê aumento de 50% no preço da energia este ano

publicado 12/03/2015 16h05, última modificação 12/03/2015 16h05
São Paulo – Estiagem no Sudeste vai restringir produção e incentivar gestão sustentável nas empresas
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O abastecimento hídrico e energético do Sudeste está, literalmente, por um fio, e isso vai se refletir em restrição produtiva e aumento da preocupação com a sustentabilidade, disseram os especialistas ambientais da consultoria Excelência Energética e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Ambos participaram da reunião conjunta dos comitês estratégicos de Finanças e Vendas e Distribuição da Amcham – SP, na quinta-feira (12/3). Em relação à energia, a consultoria Excelência Energética estima que o preço médio da tarifa de energia deve subir cerca de 50% este ano, afirma Selma Kawana, gerente de coordenação e controle da Excelência Energética.

“Não tem como as indústrias absorverem esse custo. Elas terão que incluir o aumento da energia no preço final”, disse a especialista. “Em casos de indústrias eletro-intensivas, como a de alumínio, tem ocorrido diminuição de atividade.”

Com o baixo nível dos reservatórios, as hidrelétricas não podem ser acionadas. As empresas compram energia das termelétricas, que são mais caras, e pelo excedente negociado no mercado livre, a preços elevados.

Para Jefferson Nascimento de Oliveira, professor do Departamento de Engenharia Civil da Unesp, as chuvas de março aumentaram o nível dos reservatórios que fornecem água e movem as hidrelétricas da região, mas ainda não o suficiente para afastar definitivamente o perigo de racionamento este ano. “Somos um país rico em recursos hídricos, mas pecamos pela falta de estruturas de distribuição de água”, comenta o professor.

Mas tanto Oliveira como Selma apontam que a falta de novos projetos, desestimulados pela demora na concessão de licenças de operação, agravou a situação. “A burocracia elevada causa impacto muito negativo na oferta de empreendimentos”, lamenta Selma. Ela aponta que a demora na concessão de uma licença ambiental, que pode demorar anos, é um fator desestimulante para novos projetos.

Se há um lado bom na crise, é que as empresas começam a aderir cada vez mais à causa da sustentabilidade. “Cada vez mais empresas estão analisando o seu consumo de água, identificando perdas na rede e pontos de melhoria. Também estão aproveitando água de reuso para descarga de sanitário e resfriamento de máquinas”, exemplifica.

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