Com marketing de experimentação, consumidor quer opinar e participar do processo de melhoria dos produtos

por andre_inohara — publicado 02/03/2012 16h56, última modificação 02/03/2012 16h56
São Paulo – Tryvertising permite interação maior entre a opinião do consumidor sobre os lançamentos.

A famosa propaganda boca a boca é responsável por inúmeros casos de produtos que funcionaram ou fracassaram no mercado. Em tempos de redes sociais que potencializam ainda mais esse fenômeno, começam a surgir ações de marketing focadas em experimentação de produtos.

O motivo é que as pessoas não querem apenas consumir bons produtos, mas também dar sua opinião sobre como eles deveriam ser.

“O consumidor quer participar do processo de fazer produtos ainda melhores”, disse Milena Escabech, sócia diretora da agência de propaganda tryoop!. Ela participou do comitê de Marketing da Amcham-São Paulo na quarta-feira (29/02).

Por meio do tryvertising (junção das palavras em inglês para ‘teste’ e ‘propaganda’), é possível obter uma resposta mais rápida dos clientes potenciais, o que tem motivado o surgimento de agências de propaganda especializadas em ouvir os trysumers (consumidores que aderiram à experimentação prévia de produtos).

“Com o tryvertising, a empresa vai conseguir chegar mais perto do que nunca do seu consumidor”, afirmou Milena. “A grande vantagem do tryvertising é a interação, assim como a rapidez de retorno. O fato de poder experimentar um produto antes de comprar gera resultados mais efetivos”, observa.

Experimentação de produtos

Mediante cadastro prévio, a tryoop! disponibiliza aos seus consumidores os últimos lançamentos de produtos. “Por ser um método online, conseguimos trazer métricas muito instantâneas para as empresas.”

Os produtos para experimentação são alimentos, cosméticos e bebidas, segundo Milena. “As pessoas querem opinar sobre tudo, desde o sabor e a crocância de um alimento até se o creme tem alguma contra-indicação para a sua pele.”

Depois de experimentar gratuitamente os lançamentos, os consumidores compartilham suas opiniões com pessoas e empresas nas redes sociais. “Embora o retorno não seja obrigatório, 80% dos trysumers dão algum tipo de opinião sobre o produto”, destaca Milena.

O tryvertising é uma modalidade de propaganda não invasiva, argumenta Milena. “Colocamos em nosso site os produtos disponíveis e as pessoas escolhem. Esse processo já demonstra a primeira intenção de compra.”

As vantagens do tryvertising para as empresas

Outra vantagem do tryvertising é ser, também, uma forma de ampliar os canais de propaganda entre as grandes empresas e de otimizar os recursos das pequenas e médias.

“As maiores trabalham com esse tipo de propaganda porque já fizeram de tudo em publicidade tradicional, e precisam investir em novidades em termos de comunicação”, argumenta. Entre os clientes da agência, estão a Natura, Kraft e Nutrimental.

Para as empresas menores, o tryvertising é uma maneira mais direta (e barata) de testar a aceitação de produtos.

“Em vez de fazer uma ação que elas não sabem se terá retorno ou se funcionará de fato, recorrem a estratégias direcionadas. Com o tryvertising, a empresa sabe que o produto está na casa do consumidor. Esse tipo de propaganda é usado forma de maximizar os investimentos.”

Perfil dos trysumers

Toda a repercussão sobre os produtos se dá nas redes sociais, em função do perfil dos trysumers. Há um público que vai da faixa dos 25 aos 36 anos, mas o predomínio é de jovens da geração Y (nascidos depois de 1980). A maioria é formada por mulheres (60%), porém o que todos têm em comum é que são ávidos por novidades e ativos nas redes sociais.

“A geração Y é fortemente adepta da mídia espontânea. Todos querem ser formadores de opinião e por isso desajam ser os primeiros a saber, contar e compartilhar uma novidade”, ressalta Milena.

Para a publicitária, que pertence à geração Y, o consumo dessa faixa etária é fortemente influenciado pela comunidade virtual. “Nossa geração não é mais atingida por coisas bonitas e lojas físicas. Ela prefere ligar a internet, a rede social.”

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