Conta de energia vai dobrar nos próximos anos, segundo consultor

publicado 11/12/2015 09h00, última modificação 11/12/2015 09h00
São Paulo – João Carlos Mello, da Thymos Energia, disse que a tarifa deve aumentar nos próximos quatro anos
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O consultor João Carlos Mello, diretor-presidente da Thymos Energia, tem uma “má notícia” para o consumidor. De acordo com análises da consultoria, o aumento da conta de energia que começou neste ano vai continuar por muito tempo, para compensar um passivo bilionário acumulado pelo setor energético desde 2012.

“Para o período 2014/2019, nossa estimativa é de aumento real acumulado de 80% na tarifa. Se colocar 10% de inflação ao ano, a conta vai ser mais de 100%. É uma má notícia”, disse Mello, durante o comitê de Energia da Amcham – São Paulo realizado na sexta-feira (4/12).

Mello destaca que o setor elétrico enfrenta dificuldades desde que a Medida Provisória (MP) 579 foi editada em 2012. A restrição de lucratividade imposta pela MP fez as geradoras de energia, distribuidoras, transmissoras e até a Eletrobrás (empresa público-privada de energia) perderem receitas, ao mesmo tempo em que os custos pressionavam cada vez mais a cadeia setorial.

Para compensar as perdas, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) permitiu aumentos tarifários. Mas a Thymos calcula que as distribuidoras acumularam um passivo de R$ 95 bilhões e as empresas de transmissão R$ 25 bilhões, um montante total de R$ 120 bilhões que será repassado aos consumidores via conta de energia.

“Isso significa aumentar a tarifa do mercado cativo de energia”, explica Mello. Sobre a Eletrobrás, Mello disse que a perda atingiu R$ 10 bilhões causados pelas perdas com as renovações de geração e transmissão conforme a MP. “Parece que o governo não quer mal só ao consumidor, mas às próprias empresas”, lamenta.

Por sua vez, as empresas geradoras de energia tiveram perdas de R$ 48 bilhões entre o ano passado e este. “Nos últimos anos, uma série de ofertas atrasadas (de energia) das hidrelétricas reduziu a produção. Elas tiveram que reduzir a carga para armazenar mais água por causa dos reservatórios vazios (em função da crise hídrica), e não puderam vender a energia contratada”, explica Mello.

A MP 579

A MP 579 previa que as empresas que tivessem as licenças de concessões vencendo entre 2015 e 2017 poderiam renová-las sem licitação, desde que aceitassem reduzir as receitas em até 70%. Somente Cesp, Cemig e Copel se recusaram a cumprir a MP.

A adesão do setor de energia à medida do governo resultou em um grande desequilíbrio financeiro, opina Mello. O consultor ressalta que exista uma boa intenção por trás da MP 579, a de promover a modicidade tarifária. Mas a forma como isso seria feito não foi a mais adequada.

“De uma hora para outra, a MP disse que a energia que era vendida a R$ 100 MWh (megawatt hora) teria que cair para R$ 30 MWh. Sobra pouco dinheiro para o gerador, e isso criou um problema de caixa enorme, principalmente na Eletrobrás. Não houve uma visão de equilíbrio do lado do vendedor (que saiu perdendo).”

Para o ano que vem, o grande desafio do setor é convencer o governo a rever o modelo de concessões de energia. “A maior solução que se espera para 2016 é a revisão do modelo, onde todos os agentes se sentem e comecem a propor mudanças que sejam razoavelmente bem estruturadas e sustentáveis. Enfrentar este passivo (do setor energético) com a perspectiva de baixo crescimento é uma meta desafiadora”, opina.

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