Controlar riscos é segredo para fazer empresa crescer

por marcel_gugoni — publicado 18/01/2012 15h26, última modificação 18/01/2012 15h26
São Paulo – Técnica de avaliação permite achar foco de problemas corporativos e evitá-los.
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Todas as empresas estão sujeitas a crises, não importa o tamanho ou a área de atuação. Diante dessa realidade, conhecer suas fragilidades e saber enfrentá-las é a mais importante forma de evitar os problemas – ou, pelo menos, minimizá-los. É o que defende o especialista em avaliação de risco Roberto Zegarra, da empresa de seguros Marsh.

Zegarra, que participou do comitê estratégico de Finanças na Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (19/01), garante que o controle de riscos pode trazer grandes benefícios para as empresas.

“Crise é qualquer coisa que coloque os objetivos das empresas em risco”, afirma o especialista. “E as ameaças podem aparecer no capital intelectual, nas pessoas, nos fornecedores, na regulamentação, em qualidade, em matéria-prima e qualquer outra área.”
 
É para avaliar cada aspecto e encontrar eventuais focos de problemas que ele usa uma técnica de administração chamada ERM (Enterprise Risk Management), ou práticas para detectar possíveis problemas para a empresa, de riscos físicos a falhas de gestão. “O ERM entra para avaliar todos eles, sejam estratégicos, políticos, financeiros ou operacionais”, diz.

Evitando riscos

“Uma empresa sabe quando ela está em crise? As crises são um pouco difíceis de detectar. Elas podem ser como uma naja, com ataque fulminante e fatal, ou como uma jiboia, que aperta e mata a presa lentamente. As crises fulminantes são aquelas evidentes. Por exemplo, a fábrica pegou fogo, estourou um escândalo que envolveu membros da empresa ou houve uma maquiagem de dados”, compara.

Segundo ele, a maior parte dos riscos está nos pequenos, que vão aparecendo aos poucos. “Tenho um cliente que é uma multinacional fabricante de refrigerantes e cervejas. Uma das fábricas deles tem problemas com regulamentação sobre a água porque a prefeitura da cidade onde [a unidade foi instalada] aprovou uma lei e afetou a produção. Eles não estão conseguindo negociar e há o risco de fechar a fábrica.”

Zegarra explica que as saídas dependem de cada empresa. No caso da fábrica com problemas, uma das soluções é mudar de cidade – o que é caro – ou ir se adaptando à lei.

E se o problema aparecer mesmo que tenha havido a prevenção, o especialista diz que tem outra técnica para enfrentá-lo. Trata-se do BCM (Business Continuity Management), voltado a recuperar a empresa, seja do ponto de vista da imagem, de patrimônio e de continuidade de negócios ou pela ótica das finanças e da receita da empresa.

“É preciso tocar nas duas [óticas], e é sempre melhor prevenir do que lamentar”, brinca. “A história mostra que grandes corporações estão sujeitas a passar por crises a cada certo tempo. Um estudo mediu esse tempo como algo próximo de cinco anos. Então o foco [de cada empresa] tem de ser sempre evitar e minimizar os prejuízos desses problemas, que mudam com o tempo no mundo todo.”

Dependência e organização

Zegarra diz que, cada vez mais, o mundo globalizado torna as empresas interdependentes. “Um terremoto no Japão, antigamente, não pararia uma fábrica no Brasil. Agora isso acontece e precisamos ter uma visão clara para nos prevenir e preparar para lidar com isso.”

A preparação também é um ponto-chave: “Quando se tem uma corporação com 80 ou cem fábricas no mundo, ela está mais sujeita a crises do que uma pequena, cujos problemas ocorrerão com menor frequência por conta do porte menor. Mas se uma pequena empresa tem só uma fábrica e ela pega fogo, é o fim.”

O especialista diz que segurança e continuidade devem estar integradas à cultura da companhia. “Tem de fazer parte da cultura e haver comprometimento da organização e entendimento de que isso vai trazer uma vantagem competitiva. Quando os riscos são conhecidos, é possível se movimentar muito mais facilmente e com agilidade. Todos dentro da empresa precisam fazer parte e ter consciência dessa responsabilidade. A empresa tem de mergulhar inteira e saber que o controle de riscos pode trazer grandes benefícios para toda a corporação.”

O prejuízo só é possível medir depois que já aconteceu. Com a prevenção, dá para evitar, explica ele. “Um gasto razoável com prevenção vai da ordem de 1,5% a 5% do faturamento da empresa. Se for uma companhia grande, ela vai estar mais sujeita a riscos e tem que desembolsar mais. No caso das pequenas, há menos ameaças e o investimento pode ser menor. Mas uma coisa é certa: o resultado é que quando a empresa muda sua cultura pra prevenir em vez de lamentar, ela tem a certeza de que valeu a pena. Então o custo-benefício é altíssimo.”

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