Corrupção dentro das empresas não pode ser tolerada, afirma consultor da KPMG

publicado 13/04/2016 11h13, última modificação 13/04/2016 11h13
São Paulo – Para Cláudio Silva, sócio da KPMG, é importante a disseminação da cultura de compliance nas organizações
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“Se vir alguma coisa errada, levante a mão. Se ficar quieto, o prejudicado pode ser você”, afirma Claudio Peixoto da Silva, sócio-diretor de compliance da KPMG, sobre a ocorrência de atos de corrupção dentro das empresas. O executivo foi entrevistado antes de participar do comitê de Secretariado da Amcham – São Paulo, que se reuniu na terça-feira (12/4).

Silva disse que o cerco à corrupção aumentou nos últimos anos em função da criação da Lei Anticorrupção (12.846/13), que responsabiliza criminalmente as empresas envolvidas em atos ilícitos. Também pelo rigor na aplicação de penas para pessoas físicas por crime de corrupção ativa e passiva, previstas no Código Penal Brasileiro.

Se um profissional presenciar uma prática ilegal dentro da empresa, deve reportá-la à alta administração por meio dos canais de denúncia existentes, observa Silva. Em caso de o processo não seguir adiante, torna-se necessário questionar a postura ética da empresa. “Se ela for conivente e não tomar nenhuma atitude, é hora de o profissional repensar se quer continuar lá.”

Apesar de reconhecer que o medo de perder o emprego pode inibir as denúncias, Silva destaca que o silêncio também gera consequências negativas ao profissional. “Caso ele queira se recolocar no mercado, será questionado sobre o seu envolvimento ou não em atos de corrupção da antiga empresa”, afirma.

Além de preservar a cultura de integridade nas empresas, cabe aos profissionais disseminar a cultura de compliance, defende Silva. “Na área de Secretariado, por exemplo, além de integridade pessoal e profissional, as profissionais podem conscientizar seu superior sobre a importância do tema, sobretudo quando a empresa ainda não tenha adotado políticas de compliance.”

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