Corte indiscriminado de custos não surte bons efeitos em épocas de crise, segundo PwC

publicado 12/12/2014 11h42, última modificação 12/12/2014 11h42
São Paulo – Estudo aponta que 60% das empresas não atingiu metas de redução no pós-crise de 2008
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Um estudo recente da consultoria PwC indica que cortar custos de forma reativa não surte os efeitos desejados. No comitê estratégico de Finanças da Amcham – São Paulo realizado na quinta-feira /11/12), Bruno Maciel, diretor de melhoria de gestão da PwC, disse que uma administração de custos tem que fazer parte da cultura organizacional “no momento bom e no ruim”.

Na pesquisa, a política das empresas de cortar custos quando a situação aperta foi chamada de “efeito serrote”. Maciel indicou que, das empresas que buscaram redução de até 10% dos custos por causa da crise de 2008 e 2009, 40% não foram bem sucedidas no objetivo. “E quando precisaram baixar ainda mais os custos, um acumulado de 60% das empresas não atingiu a meta.”

O principal motivo para o mau resultado é que uma política de gestão de custos leva meses para surtir efeito. Sem um mapeamento criterioso de gastos e envolvimento das outras áreas no tema, um corte linear de custos só vai prejudicar os bons gestores.

“Quando uma empresa determina um percentual geral de redução, as áreas bem geridas não terão saída senão cortar na própria carne, comprometendo a eficiência no longo prazo. Por outro lado, áreas sem essa preocupação até apresentam ‘gordura’ para queimar”, destaca Maciel.

Um bom plano de administração de custos dura, em média, três anos. É o tempo para executar as diretrizes e ajustar a rota, estima Maciel. Há três passos para uma gestão eficiente de custos, e a primeira é o controle cruzado – quando a área financeira assessora as demais a identificar custos e oportunidades de melhoria. “A responsabilidade de cortar custos é da área, e não do financeiro”, assinala o consultor.

A segunda é o envolvimento com as demais áreas. Nessa etapa, cada responsável de área negocia e define como vai baixar seus custos. “É a hora que o gestor assume o compromisso.”

A terceira e última etapa é o acompanhamento sistemático da evolução das despesas, que deve estar atrelada às metas estratégicas. “A área financeira pode indicar especialistas de custos, que podem apoiar o processo de acompanhamento e comparação de gastos”, sugere Maciel. Para ele, esse apoio é uma forma de conquistar a simpatia das demais áreas.

Da fase de instalação até a apuração de resultados, leva-se pelo menos três anos. De acordo com Maciel, empresas que possuíam planos permanentes de administração de custos apresentaram resultados melhores. O estudo apontou que 20% das empresas que conseguiram alcançar as metas de custos. Uma queda de até 10% do faturamento foi verificado como efeito colateral, mas elas conseguiram manter ou aumentar a rentabilidade, de acordo com o EBIT (medida de lucro operacional) dos 12 e 24 meses após o anúncio de redução.

Maciel também aponta que investimentos em tecnologia da informação (TI) são grandes aliados da gestão de custos. “As novas ferramentas tecnológicas vão influenciar o desempenho da empresa”, comenta.

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