Criatividade ganha força como vantagem competitiva

por andre_inohara — publicado 31/05/2011 17h13, última modificação 31/05/2011 17h13
André Inohara
São Paulo – Como exemplo, Jornalista Maurício Kubrusly criou um quadro televisivo alegre no domingo à noite para mostrar que o fim de semana não acaba nesse horário.
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A expansão do setor de serviços e a necessidade de diferenciação de marcas e produtos estão reforçando a necessidade das empresas de desenvolver novas ideias em um tempo cada vez mais curto. Quando bem sucedida, a criação de produtos, serviços e processos criativos contribui para aumentar a importância das marcas.

“A criatividade se tornou uma vantagem competitiva porque os ativos intangíveis das empresas, como as marcas e a propriedade intelectual, estão cada vez mais importantes”, disse Maria de Lourdes Bacha, professora e pesquisadora de marketing, no comitê de Marketing da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (31/05).

Na TV Globo, o jornalista Maurício Kubrusly disse que está sempre procurando coisas inusitadas para seus quadros que vão ao ar todo domingo à noite no Fantástico. “Quando fico sabendo de algo diferente e fora do óbvio, corro atrás.” Há dez anos, ele propôs à direção do programa um quadro televisivo com o objetivo de mostrar uma forma alegre de encerrar o domingo.

Horário desafiador

Kubrusly conta que seu quadro semanal surgiu há mais de dez anos, com a proposta de mostrar festas em todo o Brasil em um horário que as pessoas relacionam ao início da semana de trabalho. “As pessoas ouviam a música de abertura do Fantástico e já consideravam o fim de semana encerrado”, comentou.

Algumas histórias chamaram a atenção dele, como a da dona de uma funerária no interior do País que criou um serviço de vendas onde uma cliente escolhia, em vida, o próprio funeral. “Essa mulher conseguiu fidelizar o cliente depois da morte. É o sonho de qualquer comerciante”, contou.

Após anos de exibição, os quadros de Kubrusly evoluíram para histórias fora do padrão. “No último domingo (29/05), mostrei pessoas com nomes incomuns, que começavam apenas com K ou tinham Elvis no nome.”

Chamar a atenção

Para o perfumista Hernan Figoli, do Grupo Givaudan, a criatividade está relacionada a “fazer produtos que chamem atenção”. “O que me traz criatividade é a pressão para realizar um trabalho que se sobressaia ao dos concorrentes”, afirmou.

A Givaudan é uma indústria química suíça que produz essências para aromas usados em indústrias como a alimentícia e de bebidas, e fragrâncias usadas tanto em perfumes como em produtos de higiene pessoal ou limpeza doméstica.

Na Givaudan, Figoli é responsável pela criação de essências para perfumes. O processo de criação de um aroma envolve a mistura de várias essências e inúmeras tentativas, disse. “Dificilmente se acerta na primeira”, observou.

Figoli revelou que seu processo de criação envolve discussões periódicas com outros perfumistas, nas quais se testam e avaliam vários ingredientes e cada participante dá um parecer que se transforma em troca de ideias. “Testando determinadas combinações e concentrações, muitas vezes encontramos aromas inusitados.”

Criatividade é inerente a todos

O processo criativo é inerente a todos, acredita a professora Maria de Lourdes. “Não tenho dúvidas de que desafios e crises obrigam a criar mais rápido, mas o tempo todo a mente está dando soluções”, afirmou.

As empresas precisam treinar os gestores para garantir que a criatividade dentro das salas possa fluir de forma construtiva, evitando críticas excessivas, segundo a professora.

Tanto Kubrusly como Figoli disseram que é preciso fugir da rotina e fazer coisas diferentes como forma de estimular a criatividade. "Às vezes, costumo fazer caminhos diferentes ou colocar coisas fora de ordem para ver se as descubro depois", contou Kubrusly.

 

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