Dados científicos ajudam empresas a detectar novas tendências na área de tecnologia, afirmam especialistas

publicado 28/10/2016 11h35, última modificação 28/10/2016 11h35
São Paulo – Literatura científica e patentes depositadas são bases de informação essenciais para fazer inteligência de mercado
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A cada dois dias gera-se uma quantidade de informação igual à informação gerada desde os primórdios da civilização até 2003. Com essa infinidade de dados, como usar tudo isso para transformar e detectar novas oportunidades de negócios? "Uma das formas de se fazer inteligência de mercado é analisando dados científicos, como literatura científica, patentes depositadas e concedidas ou marcas registradas ao redor do mundo. Esse é um dado que precisa ser considerado pelas empresas", afirma Roberto Uchida, Gerente de Contas da Clarivate Analytics. O especialista participou da reunião conjunta dos Comitês Estratégicos de Marketing e Diretores Comerciais da Amcham - São Paulo na quarta-feira, 26/10.

Usar esses dados é importante para as empresas que querem estruturar novas estratégias, vender mais, reforçar seu posicionamento no mercado e até lançar novos produtos, segundo Uchida. Com essas informações, é possível mapear os movimentos dos concorrentes, identificar novos players e mercados a serem explorados e até estabelecer parcerias interessantes com outras companhias. O especialista trouxe o exemplo da parceria entre a Google e a Levis – empresas de segmentos distintos, mas que juntas estão trabalhando em roupas com tecido inteligente, que será interativo e sensível ao toque.

Para Ricardo Horiuchi, Especialista em Soluções da Clarivate Analytics, olhar a base de patentes é uma das fontes mais ricas nesse sentido. Como o processo é dispendioso para as empresas, é algo que indica um investimento grande e que, portanto, há confiança naquela nova tecnologia. "A base de patente é muito rica porque permite olhar quem tá fazendo o quê e em que setor. É um indicador interessante para olhar qual interesse de mercado essas companhias estão vislumbrando", completa.

O especialista cita que, por ano, são depositados mais 2,7 milhões de pedidos de patentes do mundo. "O Brasil representa menos de 2% desse total. Mais de 60% desses pedidos vieram da Ásia", afirma. Além de patentes, a base científica se estende também em artigos científicos (mais de cinco milhões por ano) e marcas registradas globalmente (quase seis milhões por ano).

Horiuchi enxerga a internet das coisas (IOT, sigla em inglês) como uma das principais tendências tecnológicas para os próximos anos, com poder de afetar diversos setores como bens de consumo, entretenimento e setor automobilístico.

 Technology Push

Uchida afirma que há duas formas das empresas desenvolverem novos produtos e serviços de valor. A primeira, mais tradicional, é o Market Pull - através de pesquisas, detectar as dificuldades e desafios que consumidores enfrentam e desenvolver novas soluções para o mercado. Outra forma é o Technology Push. "O Technology Push seria não só depender do que o mercado diz que precisa, porque às vezes o consumidor nem sabe formular qual problema. Então as empresas desenvolvem e entregam para o mercado o que imaginam que vá resolver uma demanda”, explica. As abordagens devem ser complementares, segundo o especialista. “Essa estratégia combinada é vencedora pra muitas empresas, inclusive por companhias como a Apple", garante.

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