Dashboard: entenda os desafios da consolidação da estratégia com especialistas

publicado 01/11/2017 10h25, última modificação 01/11/2017 10h48
São Paulo – Executivos da Nestlé e Integration Consulting deram dicas para empresas que têm interesse na ferramenta
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André Valente salienta que cada organização deve trabalhar na maturidade de indicadores antes de construir o dashboard

As empresas estão constantemente buscando novos métodos e indicadores para melhorarem o desempenho do negócio. Uma das técnicas que desperta a atenção da iniciativa privada é o dashboard. O termo se refere a um painel de indicadores que é monitorado constantemente. As informações ficam em uma única tela, são ordenadas e claras e permitem um monitoramento de diversos KPIs que dialogam entre si.

André Valente, Gerente sênior de Vendas da Integration Consulting, aconselha que, antes de realizar uma estratégia desse tipo – que geralmente é cara e trabalhosa -, a organização deve entender o modus operandi para não se tornar uma ferramenta que não dê resultados. “Tenho que garantir que estou fazendo isso por um motivo. Não adianta apenas se apaixonar pela solução”, afirmou o especialista durante o comitê de Vendas e Distribuição da Amcham – São Paulo.

O especialista salientou que cada organização deve construir seu dashboard a partir do momento que definir seu estágio de maturidade em termos de indicadores. É necessário chegar a um grau de empenho e integração antes consolidar a ferramenta. A primeira fase consiste em definir e ter claro qual a identidade comercial da organização, listando os riscos corporativos, estabelecendo reuniões periódicas para discutir o andamento da empresa e descobrir qual o caminho a organização a empresa deve fazer. Apesar de não ser uma fase técnica, ela é essencial. “A maioria das empresas no Brasil não tem a maturidade necessária para já instalar um dashboard”, alerta.

Após essa primeira fase de descoberta, a empresa deve organizar equipes para insights e brainstorms relacionados a KPIs. A chave não é ter mais indicadores: muitas vezes, a solução está em usar melhor o que já é medido e combinar algumas informações. Nessa fase, as equipes precisam entender como conectar e traduzir a estratégia dos negócios nas ações do dia a dia e também estabelecer quais os rituais e instâncias que devem realizar para isso. “A hierarquia estratégica é fundamental – se não sei se quero, não tenho segmentação na organização, é preciso prestar mais atenção nisso”, afirma.

A última fase é durante a realização e implementação da estratégia: separar indicadores por área da organização, realizar uma pesquisa para descobrir quais dados são mais medidos e entender quais são os riscos de implementação.

Uma das organizações que conseguiu usar a estratégia foi a Nestlé. Diego Pelloso, Executivo Nacional de Distribuição da Nestlé, explicou que a ferramenta auxiliou na efetividade comercial e logística da organização, auxiliando os colaboradores a entregarem melhor os resultados. “Vivemos em um mundo que tem muita informação. Precisamos ter a capacidade de transformar tudo isso em algo útil para entregar a estratégia. É necessário definir para que essa informação serve, para quem e quem pode tomar uma decisão a partir disso. Isso que é a lógica que precisa ser amarrada toda vez que você está desenhando o sistema de gestão. Cada um dos chefes precisa saber da sua área, seu papel dentro da organização”, explica.

Na empresa, algo que ajudou nesse processo foi o estabelecimento de reuniões periódicas para compartilhar os resultados, organizados de maneira simples e clara para o entendimento de todos. A ideia não é discutir a razão dos problemas de execução e sim que cada equipe já traga as soluções caso tenha algum indicador negativo e que aquele momento seja de tomada de decisão.

O executivo reiterou o argumento de Valente, salientando que a construção do dashboard tem que ser olhado como o final do processo, não o começo: precisa ter uma cultura motivada a entender o indicador. Isso envolve mudanças importantes no modo de trabalhar. ”Imagina que as pessoas que estão na empresa possuem trabalhar de certa maneira e queremos influir nisso para alcançar os objetivos estratégicos. Parte disso é uma questão de mudança de hábito e cultural importante. Isso exige disciplina”, opina.

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