De revisões de contratos a programas de governança: veja opções de redução de custos em logística

publicado 02/09/2015 15h17, última modificação 02/09/2015 15h17
São Paulo – C&A, Eli Lilly e KPMG comentam ações de sucesso durante o comitê de Logística
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Passar a faca nos custos nunca esteve tanto na moda: se o corte já era pauta para gestões eficientes, virou uma obsessão em tempos de crise. Em logística, área com impacto significativo em toda a cadeia do negócio, a ordem é a mesma e as soluções vão desde ações pontuais, como revisões de contratos com fornecedores, a programas mais estruturais, como os de governança.

O amplo espectro de potenciais cortes se justifica: as tendências para o setor estão todas com sinal vermelho, segundo Marcio Ikemori, sócio-líder de SupplyChain na KPMG.

“O volume está caindo, a ocupação nos caminhões é menor, e os preços estão subindo, entre outros fatores. Devemos ficar atentos a todas as oportunidades (de redução)”, salienta.

Ikemori esteve no comitê aberto de Logística da Amcham – São Paulo, quarta-feira (02/09), para debater redução de custos com Luís Cláudio Martão, gerente sênior de Operações Logísticas da C&A, e Camila Rodrigues Alves, gestora de Procurement, Purchase to Pay and Logistics da Eli Lilly.

A hora é propícia para revisão de contratos com fornecedores, entre outras alavancas que podem ser consideradas para a otimização dos custos de transporte. “Deve-se repensar as condições não apenas para arrochar, mas para rever o que funciona ou não, adequando a relação com o fornecedor”, indica o consultor.

Outra possibilidade é a adequação viária da fábrica ou do entorno. Segundo Ikemori, reformas desse tipo não são gasto, mas investimento, já que podem levar à melhoria da performance.

Olho afiado

Há quatro anos a C&A apostou na criação de uma equipe específica para gestão de custos dentro de logística. Antes, a tarefa era feita por um time compartilhado com outras áreas. “Trabalhamos muito o orçamento e o planejamento, investimentos tempo e gente para não apenas planejar, mas acompanhar de perto para ver se vamos ser efetivos nisso”, relata Luís Cláudio Martão, gerente sênior de Operações Logísticas da C&A.

Entre outras ações, a equipe dividiu os grupos de despesas de todos os centros de distribuição para analisar as unidades individualmente. “Conseguimos controlar todos os custos e disseminamos a cultura de gestão de custos em todas as áreas”, comenta.

A Eli Lilly também optou por uma ação abrangente. Desde 2012 a farmacêutica desenvolve um programa de governança que, entre outros resultados, levou o tema para outras áreas da empresa impactadas pelos custos de logística.

O programa inclui comitê de S&OP (Sales Operations Planning, ou Planejamento de Vendas e Operações), que trata de toda a cadeia de suprimentos, desde a importação de insumos até a efetivação da venda e entrega ao cliente. Também há os comitês de logística, que apresenta indicadores de performance logística e de custos por produto; de inventário (que cuida de ajustes); e de perdas (pela sensibilidade dos produtos).

Camila Rodrigues Alves, gestora de Procurement, Purchase to Pay and Logistics da Eli Lilly, conta que a iniciativa da área de logística tomou corpo e hoje tem membros de outras equipes, como marketing e vendas. “O programa permitiu maior controle e principalmente visibilidade (dos custos de logística). O objetivo inicial era de integração, para que ouras áreas vissem o impacto da operação logística nelas próprias”, comenta.

Equilíbrio na equação

Fazer benchmark para saber como outras indústrias estão tratando o tema é uma opção, sugere Marcio Ikemori. Ele conta que os executivos de logísticas têm, ainda, optado por terceirizar atividades não estratégicas e primarizar as de maior valor agregado.

Mensuração de custos, modais alternativos, redesenho da malha de distribuição logística e tributária, centralização de funções de transporte e mitigação de riscos também oferecem potenciais soluções.

Ele destaca que todos os movimentos para reduzir custos devem ser estruturados de acordo com um tripé: equação de cortes correta, considerando o nível de serviço e os riscos da operação.

“O ideal é fazer o planejamento integrado da cadeia eficiente, todos os dias. É constantemente fazer o controle dos processos para não ter goteiras no dia a dia”, aconselha o sócio da KPMG.

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