Debate sobre diversidade deve envolver lideranças empresariais, avalia presidente da Monsanto

publicado 27/10/2016 10h16, última modificação 27/10/2016 10h16
São Paulo – Rodrigo Santos avalia que diversidade na organização gera melhores resultados
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“A liderança das empresas, infelizmente, ainda é composta majoritariamente por homens. Por isso, é necessário que se faça um debate aprofundado sobre diversidade com a alta gestão das organizações.” Esta é a avaliação de Rodrigo Santos, Presidente da Monsanto, durante o Seminário de Empoderamento da Mulher na Amcham – São Paulo na terça-feira, 25/10. “Trabalhamos muito a questão da diversidade porque acreditamos profundamente que isso vai gerar resultados melhores para a empresa”, afirmou durante o encontro.

Esse trabalho com a liderança da Monsanto é focada em atacar o unconscious bias- um viés que pode reproduzir preconceitos de forma inconsciente. “Muitas vezes, nas entrevistas e promoções, um viés inconsciente acaba impactando nas escolhas. Nosso foco é desenvolver um treinamento que combata isso”, explica. Hoje, a companhia trabalha com três frentes da diversidade: mulheres, LGBTA e pessoas com deficiência.

Para Victor Mezei, Presidente da Pfizer, a conscientização da empresa é uma mudança cultural e deve começar na liderança. “Não adianta eu pregar a diversidade se o comitê de liderança é constituído basicamente por homens”, afirma. A empresa começou a tratar as questões de disparidade de gênero em 2009, por justamente identificar que a empresa não refletia a diversidade presente na sociedade. Antes, apenas 18% de cargos de diretoria eram ocupados por mulheres. Hoje, são 53%. Uma das práticas que a empresa adotou foi fundar um comitê de diversidade e inclusão, justamente para debater essas questões e formular políticas que ajudassem nesse sentido.

Thaisa Storchi Bergmann, Vencedora do prêmio L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência , ressalta que não é só no mundo empresarial que é difícil alcançar uma igualdade entre homens e mulheres. “Ainda temos poucas mulheres cientistas. Temos um longo caminho a percorrer na academia”, lamenta. Bergmann identifica que isso acontece pois, desde a infância, meninos são incentivados a pensar e se interessar por brincadeiras e jogos de lógica, enquanto as meninas são empurradas para bonecas. “Eu acho que todos os problemas que nós enfrentamos, enfrentamos porque não estamos ensinando bem as nossas crianças”, opina.

O problema levantado pela cientista afeta também o mercado de trabalho no setor de tecnologia. Mônica Herrero, Presidente da Stefanini, identifica que um dos maiores desafios dentro de sua organização é contratar mais mulheres, pois poucas se formam nessa área. “O nosso grande desafio hoje na organização como um todo, tanto em diretorias como vice-presidência, é o aumento das mulheres. É capacitar mulheres para o mercado de trabalho de tecnologia”, compartilha.

Alexandra Loras, Ex-consulesa da França em São Paulo, empresária e consultora, avalia que as mulheres ainda ocupam poucos cargos executivos e não são remuneradas da mesma forma que os homens – e isso se agrava no caso das mulheres negras. Uma mulher branca, ocupando o mesmo cargo e nível de um homem branco, ganha 70% do que ele ganha. Quando falamos na mulher negra, essa porcentagem cai para 40%.

“Até ontem, a gente não podia votar, usar calça comprida ou abrir uma conta bancária. E ainda assim temos um longo caminho para chegar ao reequilíbrio na sociedade. Não podemos continuar reproduzindo os privilégios do passado. Precisamos enxergar o quanto as mulheres podem agregar valor às empresas”, afirmou.

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