Demanda aquecida de treinamentos internos exige das empresas melhora em logística de traslado e hospedagem

por andre_inohara — publicado 29/03/2012 15h05, última modificação 29/03/2012 15h05
São Paulo – Escassez de espaço físico para treinamentos presenciais nos grandes centros está se agravando e demanda aperfeiçoamento da mobilidade corporativa.
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Além de se desdobrarem para formar mão de obra qualificada, as empresas começam a enfrentar um problema subsequente: a escassez de locais de capacitação. Há muito as salas internas de treinamento não conseguem abrigar a quantidade de funcionários que precisam ser qualificados, e as companhias recorrem a locais externos como hotéis e centros de eventos para suprir a falta de espaço físico.

O intenso movimento de capacitação tem aumentado a complexidade da logística de transporte e hospedagem de funcionários, pois as empresas começam a procurar locais mais distantes que sejam capazes de abrigar o volume de pessoas em treinamento. Diante disso, a necessidade de escolher bem os prestadores de serviços ficou mais evidente, disse Helio Gianotti, gerente de Desenvolvimento e Treinamento da Força de Vendas para a América Latina e Brasil da Novartis Biociências.

“Quanto melhor a parceria com empresas de mobilidade, mais treinamentos presenciais eu consigo fazer”, disse Gianotti no comitê de Viagens e Mobilidade Corporativa da Amcham-São Paulo, realizado nesta quinta-feira (29/03). Segundo Gianotti, a capacitação presencial responde por 70% da verba anual de treinamento da Novartis.

Nos grandes centros urbanos, os custos com hospedagem e apoio logístico são altos e os pedidos de reserva têm que ser feitos com bastante antecedência, observa Gianotti. Para fugir dos custos elevados, muitas empresas passaram a utilizar espaços físicos mais longe da sede.

No entanto, está cada vez mais caro encontrar locais afastados, e a busca por novos espaços de treinamento tende a aumentar, segundo Gianotti. “Já temos dificuldades para encontrar hotéis a 100 km de São Paulo, onde fica a nossa sede, e está começando a complicar.”

Isso tem obrigado as empresas a planejarem as necessidades de treinamento com antecedência maior, o que envolve estruturação de custos. Esse é mais um argumento para se trabalhar melhor com os prestadores de serviços de mobilidade. “Eles ajudam a identificar as melhores formas e locais. Qualquer problema com a minha parceira de mobilidade compromete o programa de treinamento”, destaca.

Pesquisa

Os serviços terceirizados que as empresas mais utilizam em treinamentos são alimentação, hospedagem, espaços físicos e passagens. De acordo com uma pesquisa de 2011 do Grupo Alatur com 122 empresas, 45% dos serviços de alimentação são terceirizados, enquanto 42% das empresas contratam firmas especializadas para cuidar da hospedagem.

O aluguel de salas e locais físicos é terceirizado em 39% dos casos, mesmo percentual para a emissão de passagens. E cerca de 36% das empresas utilizam serviços terceirizados de transporte.

Uma das conclusões do estudo é que a contratação de logística de mobilidade não está tão presente nas empresas devido à falta de divulgação do serviço, ausência de propostas completas de solução e baixa qualidade dos serviços oferecidos.

Case Bradesco

Para treinar os seus 114 mil funcionários espalhados pelo Brasil, o Bradesco optou por espalhar seu departamento de treinamento em 14 filiais. “Temos 250 pessoas e nosso treinamento é regionalizado, para evitar as dificuldades com logística. Hoje em dia, é muito difícil trazer tudo para a nossa matriz em São Paulo (Osasco)”, disse Fernando Agrela, do departamento de treinamento do Banco Bradesco. Somente os cursos voltados às gerências são ministrados na matriz.

“Temos que fazer mais com menos, por isso nossa opção é regionalizar cada vez mais o treinamento.” Os custos com logística de movimentação de pessoas foram mais da metade do que o banco gastou com treinamentos. “Em 2011, esse custo representou de 55% a 60% do orçamento e o restante foi gasto em conteúdo”, acrescenta Agrela.

Para este ano, a verba de treinamento do banco é de R$ 150 milhões, de acordo com Agrela. Se o percentual de gastos com movimentação de pessoal se mantiver na casa dos 60%, o Bradesco terá consumido R$ 90 milhões com essa despesa.

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