Departamentos de Recursos Humanos precisam compreender contexto e desenvolver novas fórmulas para lidar com Pós-Modernismo

por daniela publicado 29/11/2011 09h19, última modificação 29/11/2011 09h19
Daniela Rocha
São Paulo – Para Françoise Trapenard, presidente da Fundação Telefônica, transição de era demanda estratégias diferenciadas para desenvolvimento de motivação dos colaboradores.
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Um debate filosófico está instaurado no meio corporativo. Os departamentos de Recursos Humanos precisam estudar mais o contexto atual e criar fórmulas para que as empresas conduzam suas atividades com êxito no Pós-Modernismo. O mundo vive uma transição de era que demanda que as organizações promovam estratégias diferenciadas para o desenvolvimento de motivação dos colaboradores. A análise é de Françoise Trapenard, líder do comitê estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo e presidente da Fundação Telefônica.

Ela conduziu o seminário “Sabemos o que não sabemos? – o RH, a Organização e a Complexidade”, na Amcham-São Paulo na quinta-feira (24/11). “O ambiente corporativo está muito complexo e as ambiguidades vieram para ficar”, disse Françoise, referindo-se a um cenário marcado por avanço acelerado das tecnologias, profundas alterações nos hábitos dos consumidores, aumento das cobranças por resultados, disputa por talentos, diversidade e várias gerações.

A executiva especializada em gestão de pessoas concedeu a seguinte entrevista ao site da Amcham:

Amcham: Como deve agir o RH nesse ambiente de alta complexidade no meio corporativo? Qual é o balanço desse debate na Amcham?
Françoise Trapenard:
O RH precisa entender melhor o contexto que estamos vivendo. Não estamos simplesmente uma fase de muitas mudanças, mas em uma transição de era. Existe uma forma de viver no mundo que está perdendo força, agonizando, e um modelo emergente. É fundamental entender um pouco da modernidade e da pós-modernidade.
Amcham: Qual é o mundo que está agonizando e qual é o caminho que se abre?
Françoise Trapenard:
O que está agonizando é a crença de que a racionalidade explica tudo, de que o homem racional construirá um mundo melhor, entenderá e dominará a natureza, com o objetivo de um progresso inevitável. O que é o pós-modernismo? É dizer que o homem é racional, mas também emocional, intuitivo e contraditório. Sendo assim, não existe uma verdade absoluta para a qual estamos progredindo de forma invariável. As verdades são múltiplas, plurais e diversas. O homem não é um ser autodeterminado. Ele depende da comunidade, é colaborativo. O problema é que ainda estamos vivendo em modelo cartesiano de pensar no certo e no errado, precisando nos mover para um mundo cada vez mais paradoxal, onde não existe somente uma resposta correta, mas sim milhares de respostas corretas. É fundamental entender esse contexto e qual ambiente será necessário criar para que as pessoas se reconciliem com seu lado humano. É importante colocar perguntas que façam emergir as novas formas de agir nesse mundo porque a incerteza que nos cerca não será resolvida imediatamente. Ela tem de ser compreendida e explorada. Essa incerteza fará com que novas soluções sejam encontradas porque as antigas não servem mais.

Amcham: No desenvolvimento de soluções, o departamento de RH tem de tornar a comunicação interna, a interação com os colaboradores mais efetiva?
Françoise Trapenard:
Com certeza, esse diálogo é importante. Porém, o RH precisa primeiramente abrir espaço para inovação dentro de si para depois ajudar a empresa na construção de suas necessidades.
Amcham: Está caindo o modelo de gestão altamente hierarquizado nas organizações? Françoise Trapenard: De fato, o discurso vai nessa linha, mas tenho visto poucas experiências. Porém, isso ocorrerá, sim. Os jovens forçarão uma gestão mais colaborativa. É uma questão de tempo.

Amcham: Por que as discussões sobre a qualidade de vida estão crescendo nas organizações?
Françoise Trapenard:
As pessoas ficam mais preocupadas com a qualidade de vida quando não veem sentido nem significado naquilo que fazem. Então, cabe às empresas dar significado, dar conteúdo e humanizar o ambiente do trabalho. Isso potencializa as questões de qualidade de vida, independente de outras ações que possam ser feitas.

Amcham: Humanizar é respeitar as singularidades...
Françoise Trapenard:
A partir do momento em que a organização passa a não acreditar mais na perfeição humana da racionalidade e trata cada pessoa com seus erros, ambiguidades e potenciais, começa a se relacionar com os seres humanos de verdade e não com suas imagens idealizadas. Isso é benéfico.

 

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