Desaceleração da renda e consumo fará economia crescer menos em 2014

publicado 01/10/2013 17h13, última modificação 01/10/2013 17h13
São Paulo – Economistas do Santander e Citibank ressaltam importância de reformas estruturais para dar mais competitividade
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A economia brasileira vai crescer menos em 2014. Os economistas que participaram da 5ª edição do Business Round Up da Amcham – São Paulo, na terça-feira (1/10), disseram que a estabilização do consumo doméstico tende a restringir a expansão brasileira a partir do ano que vem.

Marcelo Kfoury, economista-chefe do Citibank, disse que dois grandes impulsionadores do consumo estão revelando desgaste: os gastos das famílias estão caindo e o mercado de trabalho se aproxima da estabilidade. Os ajustes estruturais que poderiam dar mais competitividade à indústria, como redução de impostos e juros, não devem ocorrer a tempo de recuperar o vigor econômico.

“Não prevemos um bom ano em 2014, porque não vemos espaço para as políticas públicas – fiscal e monetária – ajudar muito no crescimento”, disse Kfoury. Outro debatedor, Maurício Molan, economista-chefe do Santander, disse que as reformas estruturais são essenciais para dar competitividade à indústria, e que o modelo de incentivos ao consumo está perdendo efeito.

“À medida que a economia fica menos competitiva, os estímulos ao consumo geram mais importação, e não produção local. Isso gera frustração da sociedade com a política do governo de estimular o crescimento via consumo”, comenta Molan.

Esses incentivos estão aumentando o desequilíbrio causado pela baixa produtividade da indústria e o alto consumo doméstico. Como isso tende a estimular o aumento de preços, o economista acredita que o combate à inflação tem que ser prioridade do governo, com medidas de ganho de produtividade.

“O maior risco para a economia no ano que vem é a inflação. Descuidar dela ou tentar segurar com base em represamento de tarifas não gera melhoria da confiança para o investimento”, alerta o economista do Santander. Ele sugere melhorar a qualidade da infraestrutura de transportes e da educação, além de criar um sistema tributário mais eficiente e menos burocrático.

Fatores externos também não ajudam

Com sinais cada vez mais consistentes de recuperação da economia americana, a tendência é os investimentos estrangeiros migrarem para a região e sair de países emergentes, como o Brasil, acrescenta Molan.

“Os EUA estão mostrando dados consistentes (de recuperação) em diversas áreas: mercado de trabalho, produção industrial e indicadores de confiança. O único indicador mais duvidoso talvez seja o de mercado imobiliário, e talvez por isso o Fed (banco central dos EUA) esteja sendo cauteloso”, opina o economista.

Os dados mais consistentes levam os analistas de mercado a acreditar que o Fed deverá interromper nos próximos meses sua política de incentivo ao consumo, aumentando os juros dos títulos públicos. Com remuneração mais alta, parte do dinheiro que circula na economia americana migra para essas aplicações – atraindo inclusive investidores estrangeiros.

No front externo, o cenário também não é tão positivo para a balança comercial brasileira, devido à valorização do dólar e a queda nos preços internacionais das commodities – os principais produtos de exportação do Brasil.

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