Design Thinking propõe inovação pela integração do design a processos de negócios

por giovanna publicado 29/03/2011 17h16, última modificação 29/03/2011 17h16
Belo Horizonte – Brasil já tem exemplos bem sucedidos desse modelo, como na área de TI.

O modelo de gestão de negócios Design Thinking se utiliza do design como metodologia colaborativa de identificação de problemas e desenvolvimento de soluções centradas nas experiências dos indivíduos. O resultado desse processo revela novos produtos, serviços, ações e formatos de negócios mais claros e relevantes para a sociedade e seus segmentos.

“Pensar novos modelos de negócios é uma tendência. As pessoas estão sabendo questionar melhor, olhar o mundo de maneiras diferentes e, em função disso, conseguimos criar formas de pensamento diferentes”, afirma Leonardo Dornelas, sócio da consultoria Ologia, que participou do comitê extraordinário de Marketing da Amcham-Belo Horizonte na sexta-feira (25/03).

O Design Thinking ganhou destaque por ser uma ferramenta que engloba diversas maneiras de pensar nos níveis criativo, analítico e logístico. Essa estruturação permite que a criatividade seja algo possível de ser gerado, potencializado e direcionado para a concepção de um produto, um serviço ou um projeto, seja ele comercial, social ou pessoal.

O processo

As etapas do Design Thinking consistem em identificar onde existe uma oportunidade de inovação através de reuniões multidisciplinares; descobrir chances de inovação por observação do comportamento do cliente, interpretação de pesquisas e reuniões com grupos focais; desenvolver o produto ou serviço; testar as ideias e protótipos; e planejar e implementar a solução de inovação.

“O processo tem foco na percepção do cliente, suas necessidades, desejos e comportamento”, avalia Dornelas. Além disso, ele considera que o Design Thinking possui um processo rápido e barato para gerar inovação de valor.

Case nacional – Positivo

A aplicação do Design Tinking já surtiu resultados no Brasil, por exemplo, no setor de informática. A Positivo, líder nacional na venda de computadores, contratou em 2008 a empresa de design IDEO, que visitou dez casas na periferia de São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse processo, a IDEO constatou que, na maioria dos lares, o computador fica na sala, o que faz com ele seja, portanto, parte da decoração. Nesse sentido, havia o desejo por um visual mais chamativo. Outra questão observada foi que a maioria dos clientes da Positivo não tinha carro, surgindo uma dificuldade de transportar o equipamento em caso de reparo.

A partir dessas constatações, a Positivo criou a linha “Faces”, que oferece computadores com alça e frente acrílica que pode ser personalizada com diferentes imagens. O resultado de aprovação foi refletido no sucesso de vendas desses produtos.

Case internacional – Procter & Gamble

Diante da necessidade de inovar continuamente para obter vantagem competitiva, a Procter & Gamble vem utilizando o Design Thinking na mudança de sua cultura empresarial e na estruturação de processos de inovação, gerando retornos significativos de investimento.

A empresa, que reúne um grande conjunto de marcas, baseou-se, de 1837 a 2000, em tecnologia, produção em escala e marketing de massa. A grande questão era como se diferenciar em meio a muitas ofertas no mercado.

Em 2001, a P&G contratou a IDEO para trabalhar junto a seus executivos e criar uma cultura diferente, que integrasse o design e permitisse a inovação. A companhia passou a capitalizar a força da ideia do design em nível estratégico, com o intuito de propiciar novas oportunidades para o consumidor, além de estimular o crescimento corporativo de novas formas, incorporando esse pensamento ao seu DNA.

A lata de pastilhas Altoids é um produto que exemplifica a força do design implementado pela P&G. O produto deixa de ser apenas uma bala e passa a representar um estilo de vida, pois as latinhas muitas vezes são reaproveitadas como porta-cartões e porta-objetos, como kits de costura e assessórios, entre outros. Como resultado da aplicação das ferramentas do Design Thinking, a P&G teve 12% de aumento anual médio no valor de suas ações entre 2001 e 2011.

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