Disposição ao risco e liberdade para errar são fundamentais nas estratégias proativas de inovação

por daniela publicado 11/10/2011 16h48, última modificação 11/10/2011 16h48
São Paulo- Leonardo Araújo, professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral, destaca que empresas precisam desenvolver determinadas competências para antecipar mudanças de mercado.
leonardo_araujo.jpg

Adotar uma cultura de apetite ao risco e de maior liberdade para tentativas e erros são fatores essenciais para que as empresas passem a ser mais proativas em inovação, defende Leonardo Araújo, professor e pesquisador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral (FDC). De acordo com ele, as companhias devem se estruturar para antecipar mudanças de mercado.

“Boa parte das empresas tende a ser mais reativa às alterações no mercado consumidor pela dificuldade de lidar com o risco. Em se tratando de inovação de produtos e modelo de negócios, os erros são benéficos porque permitem o aprendizado. Liberdade para errar é algo positivo e diferente de licença para errar, que é negligência ou imperícia”, explicou Araújo, que participou nesta terça-feira (11/10) do comitê de Inovação da Amcham-São Paulo.

O professor ressaltou ainda que os líderes devem gerenciar as pessoas não somente em relação aos resultados do curto prazo, mas conduzindo ações para o futuro. Segundo ele, isso ainda ocorre nas companhias de forma retórica. “Vigora o que chamamos de tirania do curto prazo”, alertou. 

Araújo afirmou que a liderança deve ser transformacional, inoculando vontade de contribuir com ideias e mudanças. Nesse contexto, a política de reconhecimento e meritocracia em inovação deve ser específica. “As metas de inovação são de longo prazo e as premiações dos profissionais devem seguir também esse contexto. Normalmente, as empresas não fazem isso”, ressaltou.

Visão de futuro

Leonardo Araújo disse que atualmente existem metodologias que auxiliam no trabalho de antecipação de mudanças de mercado. Elas são detalhadas no livro “Empresas Proativas”, de autoria dele em parceria com outro professor da FDC, Rogério Gava, e publicado pela Editora Campus.

Uma dessas metodologias é a estruturação de um radar dos ‘momentos zero’ ou ‘mudanças pulsais’, pelo qual os estrategistas das companhias captam constantemente sinais incipientes de mudanças que um dia poderão se configurar em uma realidade que trará forte impacto aos negócios. “Por exemplo, 40 ou 50 anos atrás já se falava em carro elétrico. Hoje, esse veículo é uma realidade. O Prius, híbrido da Toyota, é movido a gasolina e eletricidade”, disse Araújo.

Outro mecanismo que pode ser implementado é o de planejamento com base em cenários (scenario planning).  “Neste caso, quando não há sinais de mudanças e vigora a incerteza, os estrategistas desenham imagens possíveis sobre o futuro e desenvolvem estratégias a partir delas”, indicou o professor da FDC.

 

registrado em: