Divergência entre setores da empresa prejudica eficiência da cadeia produtiva

publicado 19/05/2016 14h09, última modificação 19/05/2016 14h09
São Paulo - Para fundador da Accera, é essencial construir uma gestão uniforme e que se oriente pelo desempenho da companhia como um todo
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Um dos maiores desafios dentro de uma cadeia produtiva é a coordenação entre as diferentes áreas da empresa. Essa é a avaliação de Cristhiano Faé, sócio fundador da Accera. Como cada área tem suas próprias metas e objetivos, muitas vezes há um grande conflito e isso dificulta na tomada de decisões. "Acho que o principal erro que as empresas cometem é ter suas áreas orientadas pelo seu ganho local e não pelo desempenho da companhia como um todo. Não ter uma gestão uniforme é um erro", afirmou durante reunião do Comitê de Supply Chain realizado na Amcham - São Paulo na quinta-feira (19).

A solução apontada pelo especialista, nesse caso, é a implementação de um planejamento colaborativo como Sales and Operations Planning (S&OP), ou Planejamento de Vendas e Operações, em português. Integrar as diferentes partes da empresa em torno do benefício da companhia como um todo é essencial. O S&OP começa a partir de um levantamento de dados e estatísticas do mercado para tentar prever as vendas. Realizar essa previsão, apesar de difícil, graças à volatilidade do mercado, é crucial. "Quando tentamos implementar um projeto de revisão de demanda, não queremos dizer que vamos acertar 100%. Nosso grande desafio é ver como podemos minimizar o erro e acertar mais", apontou. Por isso, investir em tecnologias para automatizar o processamento de dados pode ser um enorme ganho pois, além de agilizar esse levantamento, há um ganho na qualidade desses dados.

Com essa precisão, segundo Faé, é mais fácil planejar as ações das áreas, verificar se é possível atender essa demanda e como. É necessário estabelecer também reuniões periódicas para os gestores das áreas conversarem sobre suas necessidades e chegarem, em conjunto, a um consenso sobre o que é melhor. "No final do dia, o resultado é que sobra menos e falta menos. Temos um balanceamento da demanda e da oferta e aumento no nível de serviço e atendimento. Esse é o principal resultado: uma cadeia muito mais eficiente e produtiva", finaliza.

Além da organização interna, ele destacou a importância do Vendor Managed Inventory (VMI), ou Estoque Administrado pelo Fornecedor, em português. Neste sistema, o fornecedor, a partir de troca de informações com o cliente, cria um sistema para otimizar os níveis de estoque do cliente. Essa aproximação entre as pontas da cadeia de produção é benéfica para ambos, já que garante um suprimento adequado e constante, aumentando o nível de serviço e reduzindo os gastos da empresa.

Para Paulo Renato da Silva, Demand Planning & Supply Chain Project da BD Brasil, líder global em tecnologia médica, resolver o problema de estoque foi essencial para melhorar os serviços. Como esse mercado tem desafios muito específicos, incluindo um portfólio de produtos extenso e diversificado, volatibilidade de demanda e uma armazenagem específica pra cada produto, foi necessário adotar o sistema de revisão periódica de estoque. Neste caso, o ressuprimento dos estoques é feito com quantidade variável de material. "Dentro da cadeia, quase constantemente lidávamos com necessidades urgentes. Imagina chegar a um laboratório médico para realizar um exame crítico e não conseguir por falta de material. Isso é inviável", exemplificou. A adoção dessa nova medida diminuiu o número de pedidos de material urgente e aumentou a eficiência do serviço.

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