Eleição em tempos de incerteza econômica e política

publicado 24/03/2014 14h24, última modificação 24/03/2014 14h24
São Paulo - Cenário é muito diferente dos outros pleitos, segundo economista-chefe do Fator
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O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves, afirma que o cenário macroeconômico de 2014, pior em relação ao do período das duas últimas eleições presidenciais, não deve impedir a reeleição da presidenta Dilma Rousseff no pleito de outubro. “Com bolsa (de valores) derretendo, juro e dólar subindo, a situação é completamente diferente. Mas não estou falando que não vai haver reeleição da Dilma.”

“Faz muito tempo que não temos uma eleição tão complicada em termos de incerteza econômica e política no País”, acrescenta o economista, durante o comitê estratégico de Diretores Comerciais da Amcham – São Paulo, realizado na quarta-feira (19/3).

Como a demanda externa segue enfraquecida, os empresários estão reduzindo a produção, explica o economista que se baseou em indicadores econômicos dos últimos meses. Eles revelam o baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), como a atividade industrial oscilante, assim como as vendas no varejo e a confiança do empresariado em declínio.

Para Gonçalves, a maior ameaça à reeleição de Dilma vem da economia. “Tem a ver com o timing de deterioração da situação econômica. Se começar a prejudicar o eleitorado da Dilma (majoritariamente a classe C), seu prestígio vai sofrer de maneira importante.”

Sem sobressaltos significativos, as chances de reeleição de Dilma são grandes. “Em um cenário onde o timing favorece Dilma, não vejo espaço para oposição”, opina o especialista. As projeções do Banco Fator para este ano são um crescimento de 1,7% do PIB, dólar a R$ 2,52 e taxa Selic de 11,5%, ambos para dezembro.

As eleições anteriores

Nas eleições anteriores, a grande entrada de investimentos e o aumento generalizado do poder de compra (ambos em 2006) garantiram outro mandato ao Partido dos Trabalhadores (PT). O primeiro foi em 2002, com Luís Inácio Lula da Silva. “Foi aí que o Lula virou o rei da cocada preta: valorização continuada do real, redução de juro e inflação, aumento do emprego e bolsa subindo. Um paraíso até 2008, quando vira tudo.”

A crise mundial de 2008, segundo ele, não afetou tanto o Brasil, que tinha um dos mercados internos mais dinâmicos do mundo e manteve o nível de crescimento. A privilegiada situação econômica (2010) do país, analisa, fez com que Dilma ganhasse o mandato atual. “A eleição da Dilma se fez em um momento de recuperação da bolsa. Com o Lula extremamente popular e a situação econômica nitidamente melhorando em relação a 2009, o cenário era muito favorável.”

A situação começou a piorar em 2012, com a redução dos investimentos e desaceleração da economia chinesa – grande compradora de commodities brasileiras. Apesar dos indicadores pouco brilhantes, Gonçalves se mostra otimista em relação ao futuro: “O Brasil é uma economia diversificada, com presença extremamente importante de multinacionais em setores estratégicos. Essa parte do setor privado demonstra interesse em estabilizar o horizonte econômico, uma preocupação que é a mesma do empresariado brasileiro”, afirma.

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